Vereadores em BH voltam das férias com cadeiras novas e caras na Câmara
por Léo Quintino
De Alice Maciel, no Estado de Minas:
Na primeira reunião do ano após as férias, vereadores de Belo Horizonte criticam excesso de vetos do prefeito e estreiam poltronas que custaram R$ 104,2 mil aos cofres públicos
Os vereadores voltaram nessa quarta-feira de férias com os ânimos exaltados depois de serem alvo de vários escândalos. No entanto, ganharam cadeira nova para dar uma relaxada. Foram trocadas, no plenário, cinquenta cadeiras, que custaram aos cofres públicos R$ 104,2 mil. O pior é que as poltronas antigas, que foram largadas no corredor da Casa, estavam em ótimo estado. E teve vereador que até reclamou das novas: “Essas poltronas novas são muito baixas, eu sou alto, preferia as outras”, declarou o vereador Cabo Júlio (PMDB). O presidente da Casa, vereador Léo Burguês (PSDB), disse que as cadeiras antigas serão usadas na própria Câmara.
Conforto à parte, o clima da primeira reunião plenária do ano foi tenso. Os parlamentares demonstraram que não estão nada satisfeitos com os vetos do prefeito Marcio Lacerda (PSB) aos seus projetos. E a briga, pelo visto, só está começando, já que pelo menos 40 vetos do Executivo às propostas dos parlamentares devem chegar ainda esse mês na Casa.
Preocupados em recuperar a imagem manchada no ano passado, 38 vereadores marcaram presença na reunião de nessa quarta-feira, com a exceção de Chambarelle (PRB) e dos afastados, Hugo Thomé (PMN) e Carlúcio Gonçalves. Durante o pinga-fogo, parlamentares reclamaram das canetadas do prefeito a seus projetos. Cabo Júlio acusou o Executivo de encaminhar projetos inconstitucionais à Casa e declarar inconstitucionalidade a projetos do Legislativo. Entretanto, ele diz que é favorável à manutenção do veto do reajuste salarial dos vereadores.
Na opinião do vereador Fábio Caldeira (PSB), uma das alternativas para melhorar a imagem da Câmara seria acabar com o voto secreto. Ele apresentou nessa quarta-feira uma proposta de emenda à lei orgânica prevendo o fim da votação secreta em casos de cassação e vetos. “ Isso já foi feito nas Câmaras de São Paulo e do Rio.”
Já Léo Burguês entende que a imagem do Legislativo da capital teria uma melhora se as pessoas compreendessem o motivo do projeto do reajuste, que, segundo ele, teve como base o aumento dos deputados estaduais. Ele disse ainda nessa quarta-feira que vai solicitar ao Ministério Público estadual e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que analisem todas as despesas feitas pela Câmara durante o seu mandato de presidente.

02-02-12 08:07:00,