Vereadores do PSDB e do PT trabalham nos bastidores para eleger novo presidente da Casa

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Amanda Almeida:

A pouco menos de dois meses para a reestruturação da Mesa Diretora e das comissões da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o burburinho sobre a sucessão da vereadora Luzia Ferreira (PPS) na presidência da Casa já toma conta dos corredores e dos gabinetes. Antevendo possível racha nas próximas eleições municipais em 2012, PT e PSDB, que hoje fazem governo de aliança na Prefeitura de BH, disputam o comando do Legislativo. Os tucanos trabalham para emplacar um nome e impedir candidatura petista. Nos bastidores, temem que o partido ganhe força demais diante da possibilidade de lançar nome próprio para concorrer com o prefeito Marcio Lacerda (PSB), em 2012, desfazendo casamento selado em 2008.

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A vereadora Luzia Ferreira foi a primeira mulher a liderar a Mesa Diretora da Câmara de BH. Depois de muita polêmica para definir os possíveis nomes para o biênio 2009/2010, no fim de 2008 os vereadores eleitos no mesmo ano apostaram em chapa única, chamada de consenso, encabeçada por Luzia. Em 12 de dezembro, os comandos da Casa serão trocados novamente e a vereadora sai de cena, depois de ser eleita deputada estadual para a próxima legislatura. Nos corredores, dois nomes já são cotados para a cadeira: Henrique Braga (PSDB) e Silvinho Rezende (PT), atual segundo vice-presidente da Mesa.

Henrique Braga diz que seu nome foi “indicado” por colegas, mas vereadores da Casa, que preferem não se identificar, afirmam que ele assumiu postura de candidato desde que Luzia foi eleita deputada. “Sou grato pela indicação do meu nome. É muito difícil ser presidente da Câmara, mas, se eu disser ‘não’, estaria fugindo da responsabilidade”, comenta Braga. Segundo ele, nas próximas semanas, conversará com todos os vereadores para tentar formar novamente chapa de consenso em torno de seu nome. Além da Mesa Diretora, a composição das comissões é reformulada a cada dois anos, possibilitando negociações entre os vereadores. “Não quero racha na Casa. Já houve época em que ficamos seis meses sem votar projeto porque vereador saiu ferido de disputa para a Mesa. Quero fazer uma chapa que atenda a todos.”

A bancada petista não assume, mas vereadores, inclusive do PT, comentam nos bastidores sobre a candidatura de Silvinho Rezende para a liderança da Mesa Diretora. Para eles, apesar de “votarem com o prefeito”, os petistas têm “legitimidade” para pleitear candidatura própria, o que inclui fortalecer possível racha para a próxima eleição à PBH. Questionado sobre a expectativa de disputar a presidência da Câmara, Silvinho diz que ainda é cedo para discutir, mas não nega a possibilidade. “Existe realmente essa ideia, mas quero falar sobre isso depois do segundo turno. Meu nome foi manifestação espontânea de companheiros.”

CONVERSAS

Outros petistas não negam a vontade de ver o partido no comando da Casa e sinalizam para o fim do casamento com o PSDB na prefeitura da capital. A luta será por emplacar o PT como cabeça de chave na disputa. Nessa linha, um dos principais nomes é o do vice-prefeito Roberto Carvalho. Caso Marcio Lacerda insista em tentar a reeleição, a conversa muda de rumo. Para um petista, nesse contexto, o PT terá de se reunir para discutir e planejar candidatura própria. Diante da possibilidade, alguns vereadores da base governista preferem ver o PT longe do comando da Câmara e adiantam que a “guerra de foice” será pesada nas próximas semanas. Atualmente, a mesa é formada pelos vereadores Luzia Ferreira (PPS), Silvinho Rezende (PT), Anselmo José Domingos (PTC), Geraldo Félix (PMDB), Bruno Miranda (PDT) e João Oscar (PRP).

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