Sucessão em BH pega fogo, mas não ganha as ruas

por Léo Quintino Email

A sucessão municipal em Belo Horizonte tem sido controversa. No âmbito político-partidário há discussões acaloradas e uma verdadeira guerra interna no PT. O diretório municipal, liderado pelo prefeito Fernando Pimentel, quer fazer a aliança com o governador Aécio Neves e indicar o secretário de desenvolvimento econômico, Márcio Lacerda (PSB), a qualquer custo, nem que para isso tenha que ir à justiça. A confusão é porque a ala paulista, que comanda o diretório nacional, vetou a dobradinha na capital mineira.

Se na esfera política a discussão praticamente pega fogo, em contrapartida, grande parte do povo nas ruas nem se dá conta das lutas partidárias em curso para decidir quem vai concorrer à cadeira de Pimentel. A operadora de telemarketing Raquel Rocha, 27 anos, que afirma não estar acompanhando as notícias sobre a sucessão, não vê problemas na aliança. “Sou a favor da aliança PT-PSDB, desde que tenham um bom projeto, uma boa idéia e que essa união possa acrescentar algo para a cidade”, diz. Porém, a operadora ainda desconfia da política. “É muito difícil confiar, por ser indicação de Aécio eu votaria no Márcio Lacerda, mas acho que votar é um tiro no escuro, não sabemos o que vai acontecer, vamos por indicação”, conta ela.

Já o estudante Thiago Vilas Boas, 24 anos, é completamente contra a dobradinha Pimentel e Aécio. “Não sou a favor de nenhum tipo de aliança, tem muitos partidos no Brasil e a união entre eles quebra qualquer ideologia. Cada um tem um pensamento e união para alcançar o poder me parece um pouco de traição”, afirma o estudante.

A professora Margareth Almeida, 43 anos, não vê problemas na aliança. “Acho legal porque na minha visão não é simplesmente o partido que comanda e sim cabeças pensantes e se tem pessoas boas dos dois lados por que não se unir?”, questiona ela. A professora diz ainda que o que importa é a credibilidade do candidato. “Votaria em qualquer candidato desde que ele mostre bons projetos independente do partido ou da coligação”.

Correndo por fora

O PMDB do ministro das comunicações, Hélio Costa, quer ter candidato próprio, porém como o ministro nem pensa nessa hipótese, o partido não tem outro nome natural. Outro fator é que todos os partidos querem o PMDB na chapa, de olho, é claro, no tempo de TV que o partido pode acrescentar. A deputada federal Jô Moraes (PCdoB) promete dar trabalho. Ela já tem o aval do PRB do vice-presidente José Alencar, além disso as conversas dela com o PMDB estão adiantadas.

Outro forte concorrente à PBH é o atual vice-prefeito de Belo Horizonte, Ronaldo Vasconcellos (PV), que apóia a aliança PT/PSDB e quer participar da chapa. Vasconcellos argumenta que o Partido Verde é o caminho menos traumático a se seguir. “Por exemplo, se fizermos uma comparação doutrinária, o PSB é o Partido Socialista Brasileiro. Quanto tempo já não se fala disso, socialismo? É um partido bom? É, mas o nosso é melhor. Além disso, nós já estamos na prefeitura, nem seria preciso um período de transição, o trabalho na prefeitura não pararia. E eu já coloquei isso para o prefeito", argumentou ele.

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