Sucessão pega fogo no congresso
por Léo Quintino
Do Estado de Minas, de Izabelle Torres:
A entrada do peemedebista José Sarney na disputa do Senado mexe com as estratégias de campanha dos deputados que concorrem à presidência da Câmara. Semana será decisiva

Deputado Michel Temer (PMDB-SP) é o favorito para comandar a Câmara e tem muitos partidos ao seu lado
Na reta final da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, os quatro parlamentares que tentam suceder Arlindo Chinaglia (PT-SP) decidiram reiniciar as conversas com seus eleitores, inclusive aqueles que já haviam contatado semanas atrás. Tudo porque acreditam que a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) no Senado modificou o cenário na Câmara e enfraqueceu Michel Temer (PMDB-SP), já que a maior parte dos partidos não pretende entregar as duas Casas a peemedebistas. “Acho que a contabilidade dos votos do Temer sofreu uma pancada depois da reviravolta no Senado. Não trabalhamos com a hipótese de não haver segundo turno e estou me encontrando com os parlamentares para discutir o novo cenário. Temos certeza de que ele perdeu votos”, garante o candidato Ciro Nogueira (PP-PI).
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Apostando na mudança do cenário e na redução do favoritismo do peemedebista, os opositores de Temer vão passar a semana realizando reuniões e disparando telefonemas aos colegas que acreditam ter a intenção de jogar areia nos planos de poder do PMDB. Aldo Rebelo (PcdoB-SP), que também disputa o cargo, é um deles. Segundo ele, a mudança do quadro no Senado anima os opositores ao peemedebista já que a possibilidade de fortalecer o PMDB – e torná-lo ainda mais importante para a sucessão presidencial de 2010 – desagrada a integrantes dos diversos partidos, inclusive do PT.
Apostando na falta de disposição dos colegas com a possibilidade de dar mais poder aos peemedebistas, Rebelo aproveitou o fim de semana para telefonar a governadores e prefeitos, pedindo que convençam seus aliados no Congresso a apoiar sua candidatura. Quer convencê-los de que a força do PMDB em nível nacional pode influenciar diretamente os cenários regionais.
Osmar Serraglio (PMDB-PR) também pretende intensificar as ligações para os eleitores na reta final da campanha. “É uma estratégia simples. Todos me conhecem. Sabem que o poder não me sobe à cabeça. Ligo, converso, falo das minhas propostas. Vou fazer isso a semana inteira”, conta. Alvo dos ataques dos três candidatos, Michel Temer também vai adotar uma ofensiva na tentativa de não perder votos e de convencer os indecisos. Pediu ajuda a seus partidários para que telefonem para parlamentares, governadores e prefeitos, na tentativa de convencer os eleitores a separar a eleição no Senado da disputa na Câmara.
O impacto da candidatura de Sarney no Senado foi sentido pelos peemedebistas. Enquanto adversários comemoravam o aumento nas chances de dissidências partidárias na contabilidade de votos de Temer, apoiadores da candidatura do presidente do PMDB se reuniram na sexta-feira para recontar os votos e fazer mais uma análise da divisão de cargos na Mesa Diretora, de modo a satisfazer o maior número de deputados.
SEM DEBATES
No momento em que cada voto é decisivo e ninguém quer se arriscar, Michel Temer se nega a participar de debates com opositores. Na quinta-feira, faltou a um programa de televisão, em que iria debater com Ciro Nogueira. Diante do aviso de que mandaria um representante, a emissora mudou a programação. Temer também tem evitado enfrentar embates televisivos na TV Câmara. Apesar da pressão dos outros três candidatos para a realização de um debate, o presidente Arlindo Chinaglia — que apoia o peemedebista — disse que isso somente poderá ser feito se os quatro candidatos aceitarem participar do programa. Para repassar o problema, deu à Secretaria de Comunicação da Casa a missão de buscar um acordo entre os quatro.“Na prática, o presidente está prevaricando. O mínimo que se esperava dele era que permitisse a realização de um debate. A partir daí, iria quem estivesse interessado. Em vez disso, ele disse que era necessário um consenso porque sabe que o Temer não vai querer participar. Pior mesmo foi repassar a responsabilidade para a própria TV, cuja diretoria é subordinada a ele”, critica Serraglio. (Com Guilherme Queiroz)
CENÁRIO
Apoio
Michel Temer (PMDB-SP) - PMDB, PT, DEM, PSDB, PTB, PV, PDT, PHS, PR, PSC, PTC, PPS, PTdoB
Aldo Rebelo (PCdoB-SP) - PCdoB, PSB, PSOL, PMN
Ciro Nogueira (PP-PI) - PP
Osmar Serraglio (PMDB-PR) - Nenhum oficialmente

26-01-09 11:19:23,