Serra e Dilma brigam por prefeitos em Minas

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Bertha Maakaroun e Leonardo Augusto:

PT e PSDB focam seus objetivos no estado, em busca do apoio do maior número possível dos 853 prefeitos do estado. Serra volta esta quinta-feira a BH e Dilma tem programação, com Lula, no sábado

A batalha por votos no segundo turno da disputa presidencial começa a ser travada nesta quinta-feira em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, com os dois candidatos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), focados no mesmo objetivo: atrair para o seu lado o maior número possível dos 853 prefeitos do estado. O ímã a ser utilizado, no entanto, será diferente em cada uma das campanhas.

Na tucana, o campo magnético a ser usado é o senador eleito Aécio Neves (PSDB), dono de elevados índices de popularidade no estado que, além da vitória por cadeira no Congresso, foi peça-chave na reeleição para o Palácio da Liberdade do colega de partido, Antonio Augusto Anastasia. Serra, que desembarca nesta tarde em Belo Horizonte participará, ao lado de Aécio, de encontro às 15h na Associação Médica. Segundo o coordenador da campanha de Serra em Minas, o deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB), 400 representantes de cidades mineiras – vereadores e lideranças políticas incluídos – participarão da reunião.

Na campanha da rival de Serra, Dilma Rousseff (PT), que vem a Minas no sábado, a forma de atração será uma espécie de campanha fatiada, tentando atrair tanto eleitores do tucano como de Marina Silva (PV), que ficou em terceiro lugar no estado, com 2,2 milhões de votos, mas que venceu em Belo Horizonte. Dilma ficou em primeiro em Minas, com 5 milhões de votos, mas amargou a segunda colocação na capital. Serra ficou em segundo no estado, com 3,3 milhões de votos, e em terceiro em BH.

...

A estratégia terá participação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhará Dilma na visita à capital mineira, onde está prevista, além de carreata pela Avenida Afonso Pena, na Região Central da cidade, um encontro com prefeitos e lideranças em local ainda a ser definido. Lula quer ouvir, por exemplo, o diagnóstico de aliados do Sul do estado, onde Serra venceu em parte das cidades. “É possível que se discuta a política do governo para o financiamento agrário, por exemplo”, afirma o deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT). Na região Sul de Minas se concentra a maior parte da produção de café do país.

Ainda na tática fatiada de atuação, a campanha da petista vai centrar fogo no universo de eleitores da capital formado pelos universitários e religiosos. Levantamentos da campanha apontam que estão nas duas classes a maior parte dos votos que poderiam ir para Dilma, mas que acabaram desaguando para Marina Silva. Quanto aos religiosos, a estratégia é desfazer a imagem passada no primeiro turno de que a candidata é a favor do aborto. Em relação aos universitários, será feita uma tentativa de provar que o programa de governo da petista, sobretudo em relação ao ensino, é melhor que o do tucano.

Voo de tucanos

Conforme Rodrigo de Castro, a estratégia de Serra em Minas contará com Aécio viajando ao lado do candidato para as cidades com maior número de habitantes. Em centros menores, a tarefa ficará por conta dos parlamentares, prefeitos e lideranças. Sobre o chamado movimento Dilmasia entre os prefeitos (defesa de voto em Dilma e em Anastasia no primeiro turno), Rodrigo diz acreditar que haverá mudança de postura, com votos migrando para Serra. “Isso está acontecendo de maneira espontânea. Vai acontecer pela força da virada em Minas em favor do Anastasia (na disputa com Hélio Costa) e vai acontecer de maneira pragmática de muitos enxergarem que os ventos agora sopram em favor de Serra”, argumentou. Sobre outra disputa, a de 2014, pelo Palácio do Planalto, Rodrigo afirmou que “daqui a quatro anos, o cenário é outro”.

Para o ex-governador Aécio Neves, Serra tem a oportunidade hoje, no segundo maior colégio eleitoral do país, o estado com o maior número de municípios, de assumir alguns compromissos com as prefeituras, dentre eles a recuperação do Fundo de Participação dos Municípios. “ Eu acho que o Serra tem que enfatizar, e provavelmente fará isso, esse discurso da descentralização do fortalecimento de estados e municípios”, acrescentou. (Com Alice Maciel)

Sem feedback para esse post ainda

Deixe seu comentário


Seu endereço de e-mail não será revelado nesse site.
(Quebras de linha se tornam <br />)
(For my next comment on this site)
(Allow users to contact me through a message form -- Your email will not be revealed!)