Sarney quer petista fora
por Léo Quintino
No Estado de Minas, de Gustavo Krieger e Leandro Colon:
Peemedebista sugere a Tião Viana (PT-AC) que desista da candidatura à presidência do Senado em nome da unidade na base aliada, mas ele resiste. PSDB impõe condições e adia anúncio de apoio

José Sarney (PMDB-AP) (ao centro) lançou oficialmente a candidatura à presidência do Senado e espera 58 votos na eleição de segunda-feira
Por meses, José Sarney (PMDB-AP) negou a intenção de candidatar-se à presidência do Senado. Não queria participar de uma disputa em plenário. Ontem, ele finalmente foi lançado oficialmente, em um almoço da bancada do PMDB. Mas continua sem querer disputar. Para ele, o ideal seria que o petista Tião Viana (AC) renunciasse “para preservar a união das forças que apoiam o governo”. Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contra a divisão dos governistas em duas candidaturas. Disse, no entanto, que não pedirá a Tião que desista. “Essa é uma questão para os líderes partidários.”
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Até duas semanas, era Tião quem apostava na desistência de Sarney, usando o mesmo argumento. O da unidade na base do governo. Na ocasião, o petista esperou em vão o apoio do Palácio do Planalto para pressionar o senador do PMDB. Ontem, foi Sarney quem mandou o mesmo recado ao governo. A reunião que lançou a candidatura aconteceu na residência oficial da presidência do Senado. O atual ocupante, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), até tentou ser candidato à reeleição. Ocupou durante algumas semanas o espaço deixado vago pelo mistério feito por Sarney, mas foi atropelado quando ele decidiu assumir a candidatura. Ontem, um constrangido Garibaldi fugiu da atenção dos jornalistas. “Não percam tempo comigo”, pediu.
A festa, de fato, era toda de Sarney. Dos 20 senadores do PMDB, apenas dois não compareceram: Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) são contabilizados como votos para Tião Viana. O restante seguirá a posição partidária. Na contabilidade do comando de campanha do veterano parlamentar, ele já teria garantidos 58 dos 81 votos. Mais que o suficiente para vencer. Ontem, já era tratado como presidente.
PETISTAS
O PT, como era de se esperar, reagiu mal à sugestão de Sarney. Uma nota oficial da bancada negou qualquer possibilidade de renúncia. O senador Aloizio Mercadante (SP), novo líder, disse que “é deselegante solicitar agora, ao fim do processo, a retirada da candidatura de Tião Viana, que representa a renovação”. Ele garantiu que o PT levará a disputa ao plenário e ainda alfinetou o peemedebista. “Tião Viana construiu sua candidatura com muita antecedência, quando Sarney dizia que não era candidato.”
Enquanto se esforça para mostrar publicamente confiança na briga pelo comando do Senado, Tião Viana revela, em conversas reservadas, a amargura com a situação política que vive. O petista procura apontar culpados pela vitória quase certa de Sarney na segunda-feira. A um interlocutor, reclamou do presidente Lula. “Nunca vi um presidente não conseguir eleger seu candidato no Senado. Sempre foi assim”, afirmou.
Para Viana, o presidente poderia ter trabalhado para elegê-lo. Mas não o fez, preferindo a neutralidade quando Sarney anunciou sua candidatura. O petista sabe que as chances de vitória são remotas na segunda-feira, mas alega que não jogará a toalha por “dignidade”.
TUCANOS
O comando do PSDB no Senado ficou muito irritado com o senador Álvaro Dias (PR). Ontem, depois da reunião da bancada, ele revelou em seu blog pessoal que os tucanos já se decidiram pelo apoio a Sarney. A inconfidência atropelou a estratégia do partido, interessado em valorizar sua posição nas negociações para composição da Mesa. Para se fortalecer, os tucanos negociam ao mesmo tempo com Sarney e com Tião Viana.
O episódio define os problemas do PSDB. O partido sonhava em desempenhar papel decisivo na disputa pelo comando do Senado, mas acabou como coadjuvante. Quando a legenda se reuniu para tomar sua decisão, o quadro já estava consolidado a favor de Sarney. Na reunião da bancada, a preferência pelo peemedebista ficou clara, mas depois de receber uma carta de Tião Viana, o partido decidiu adiar o anúncio do apoio.

29-01-09 10:38:36,