Ressaca de eleição

por Léo Quintino Email

Minha coluna no Jornal Quinzenário de hoje:

A maioria escolheu Dilma Vana Rousseff. Mineira, gaúcha e Búlgara. Elegeu por que Lula quis e carregou nos ombros. Até ontem Dilma era uma ilustre desconhecida. A presidenta havia sequer disputado uma eleição para síndica de condomínio. Derrotou Serra um político calejado que já foi deputado, senador, ministro, prefeito e governador.

O povo preferiu alguém inexperiente como política, mas com a garantia de continuar o projeto do presidente Lula.

Será que vai dar certo? Não se sabe. O mais provável é que não dê. Dilma tem no seu encalço o PMDB, partido que sempre teve sede de poder, qualquer poder. O PMDB, do vice Michel Temer, apoiou Fernando Henrique, depois apoiou Lula e a apoiaria Serra. É um partido de políticos altamente profissionais e experientes. Um partido gigante e diverso que já abocanhava boa parte do governo Lula, agora deve exigir metade do bolo governamental.

Dilma terá a dura a tarefa de negociar com o congresso. Logo ela que durante a campanha disse em alto e bom som que não tomaria nem um cafezinho com o Senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Ora presidenta, a senhora não é obrigada a conversar com qualquer cidadão, mas tem o dever de ouvir um senador da oposição.

Dilma no alto de 62 anos de vida ainda terá que aprender muito na política. E é isso o que preocupa. Como disse seu escuso amigo José Dirceu, agora o PT vai governar, pois Lula é muito maior que o PT e Dilma seria parte de um projeto do partido.

Dilma ainda vai ter que se explicar sobre questões espinhosas como a amizade e parceria de longa data com a ex-ministra Erenice Guerra e Valter Cardeal. Ambos são protegidos e apadrinhados por Dilma e estão atolados até o pescoço com desvios de dinheiro e tráfico de influência.

Será que a presidenta vai fazer como o presidente e dizer que “não sabia”? E tudo vai acabar em pizza? É possível, apesar de improvável, que Dilma não tenha nada a ver com essa quadrilha, mas ela vai ter que provar sua inocência. Com o peso do cargo e a ineficiência da oposição o mais provável é que isso seja considerado mero “denuncismo eleitoral”.

Dilma ainda deve explicações ao povo sobre seu processo ultrassecreto guardado às sete chaves no Superior Tribunal de Justiça Militar, sobre o tempo em que foi presa pela durante a ditadura militar. A qualquer custo se evitou a divulgação desse processo. Será que tem alguma coisa cabeluda lá? O PT que sempre foi favorável à divulgação de documentos dos anos de chumbo deveria dar o exemplo e tornar público o documento. Contudo, é quase certo que isso também caia no ostracismo.

Lula levou a cabo a meta pessoal de eleger Dilma a qualquer custo, tanto que tripudiou sobre a constituição para elegê-la. Por isso, ele apenas levou algumas multas por propaganda eleitoral antecipada e nada mais.

O pré-sal, tido como “menina dos olhos” do PT, é uma grande promessa para o futuro de longo prazo. O fato é que o pré-sal foi descoberto no Brasil nos anos 50 e já é explorado há décadas. Essa história de “bilhete premiado” é marketing. O Brasil produz hoje dois milhões de barris de petróleo por dia. Na melhor estimativa, a produção do pré-sal chegará a esse volume daqui a cinco anos.

Boa sorte, presidenta Dilma!

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