Quatro dias de articulações
por Léo Quintino
De O Tempo:
Convencer, em quatro dias, mais de 30 petistas de Minas contrários à aliança entre o partido e o PSDB para a sucessão em Belo Horizonte a mudar de idéia. Esta é a tarefa dos interlocutores do prefeito Fernando Pimentel (PT) nesta semana. Eles tentam fazer um mapeamento dos votos do diretório estadual da legenda, que irá decidir na próxima quinta-feira se aprova ou não a participação do PSDB na coligação com PT e PSB.
São 60 os integrantes do diretório. Petistas contrários e favoráveis à aliança acreditam que a instância está dividida e que Pimentel terá que convencer pelo menos 30 militantes. O prefeito escalou os interlocutores e determinou a eles que se empenhem para conseguir os votos.
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A estratégia é procurar primeiro as lideranças que fazem parte da Executiva Estadual do PT, instância partidária que possui 21 integrantes que são líderes e refletem a posição do diretório.
O primeiro a ser sondado deve ser o deputado federal Odair Cunha, contrário à dobradinha. O grupo ligado a Pimentel acredita que ele tem influência sobre muitos petistas.
Para não deixar que os ânimos dentro do grupo ligado ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), que é contrário à dobradinha, se acirrem ainda mais, interlocutores do prefeito também vão procurar um dos principais aliados do ministro: Ércio de Sena Cardoso.
Petista de base, ele é tido como moderado. Na última reunião da executiva estadual, foi Ércio o responsável por acalmar os ânimos dos colegas de partido.
Articulação
O trabalho de Pimentel não deve ser fácil. Filiados de todas as regiões do Estado fazem parte do diretório. Além disso, o grupo de Patrus pretende não deixar que o prefeito atue sozinho. Interlocutores do ministro também vão procurar os petista da ala estadual. O clima na semana deve ser de batalha interna.
Interlocutores do prefeito dizem que a decisão do diretório mineiro é imprescindível para convencer a direção nacional a aprovar a dobradinha. Eles acreditam que, em caso de vitória, seria muito difícil a nacional barrar a aliança com o PSDB. De acordo com os aliados de Pimentel, os petistas nacionais poderiam ser pressionados com a aprovação dos diretórios estadual e municipal.
Se o PT de Minas derrubar a aliança, ela poderia ser inviabilizada pelo diretório nacional. Na avaliação, tanto dos favoráveis quanto dos contrários à dobradinha, a ala nacional precisa apenas de mais um argumento para enterrar de vez a idéia de Pimentel. Daí o trabalho intenso do prefeito nesta semana.
Até a última quinta-feira, ele tinha definido como estratégia a procura pelos integrantes da ala nacional. Porém, mediante a divisão da estadual, optou por regionalizar o esforço. Alguns petistas avaliam que o trabalho na direção mineira já devia ter sido intensificado há mais tempo, já que ela representa o primeiro obstáculo.
As resistências do diretório estadual são capitaneadas pelo ministro Patrus, mas também pelo ex-deputado estadual Rogério Correia. Os grupos das duas lideranças já estabeleceram conversas para tentar emplacar uma candidatura dentro da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o momento, o nome da deputada federal Jô Moraes (PCdoB) é o mais cotado.
Ela já conta com o apoio do PRB do vice-presidente José Alencar. Segundo petistas contrários à dobradinha, a comunista também seria capaz de atrair o PMDB do ministro Hélio Costa, um dos primeiros a se rebelar contra a aliança.

12-05-08 11:01:00,