PT ainda busca acordo em BH
por Léo Quintino
Do Estado de Minas:
O prefeito Fernando Pimentel (PT) ainda não conseguiu convencer o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), a avalizar uma possível aliança do partido com o PSDB para a sucessão na Prefeitura de Belo Horizonte. Os dois falaram sobre o tema ontem, em Brasília, mas o ministro, tido como a principal resistência petista ao acordo articulado por Pimentel e pelo governador Aécio Neves (PSDB), disse que o PT precisa ser ouvido na decisão e que qualquer convergência dependerá principalmente de questões programáticas.
O ministro reforçou com o prefeito a necessidade de se chegar a uma candidatura forte, já que, além de os petistas estarem há 16 anos no comando da capital mineira, aquele que estiver no cargo será responsável pelo futuro da cidade. No encontro, o ministro expôs a necessidade de o partido se posicionar. “Não se deve excluir ninguém, desde que tenha conteúdo programático e o respaldo do PT. É o partido que vai processar e dar a palavra final sobre a aliança”, afirmou o ministro, por meio de sua assessoria. Na última semana, Patrus havia dito ao Estado de Minas que o processo de sucessão na capital deve ser conduzido pelo prefeito, ouvidas as instâncias partidárias. “Deve ser um diálogo dentro e fora do PT, com os partidos aliados e os movimentos sociais”, afirmou.
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As conversas no PT vão se intensificar depois do carnaval. A próxima investida, depois das negativas do ministro Patrus Ananias aos pedidos para concorrer ao cargo de prefeito de BH, que já ocupou, será direcionada ao ministro da secretaria-geral da Presidência, Luiz Dulci. O presidente estadual do PT, deputado federal Reginaldo Lopes, insiste que, antes de conversar sobre qualquer aliança com o PSDB, o partido precisa apresentar um nome aos aliados. Para ele, na atual circunstância, Dulci é o que reúne as melhores qualidades para unificar os petistas.
“Estão discutindo muito a questão da capacidade técnica, e o Dulci é um ótimo gestor, um nome que tem densidade eleitoral e muita respeitabilidade. Temos outros pré-candidatos colocados, mas nesse cenário entendo que ele é o nome capaz de unificar o partido”, avalia Lopes. Já se colocaram como pré-candidatos do PT os deputados estaduais Roberto Carvalho e André Quintão e o ex-deputado Rogério Correia. Mas Lopes não soube adiantar se Dulci está disposto a concorrer. “Vamos tentar convencê-lo mas, acima de tudo ele é um político e, se for do desejo coletivo, acredito que isso pode ocorrer.”
Depois de conversar com Pimentel, na última semana, o presidente do PT mineiro tem uma série de encontros agendados para depois do carnaval. Além de Dulci, ele se reúne com Patrus. Em março, segundo ele, o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, virá a Belo Horizonte para discutir a possibilidade de dobradinha com o PSDB. Aí é que estará a maior dificuldade, já que a direção nacional do partido já se manifestou contrariamente à proposta de aliança. Fontes ligadas ao dirigente nacional asseguram que o próprio Berzoíni não aprova a dobradinha. O presidente do PT considerou legítima a manifestação dos pré-candidatos aliados que anunciaram segunda-feira a disposição de continuar concorrendo e conversando entre si. “Foi uma reação legítima da qual o PT não participou oficialmente, mas eles não estão unidos. Nenhum deles retirou o nome da disputa.”
MAIS UM NO PÁREO
As reações a uma possível aliança entre PT e PSDB para a sucessão municipal continuam entre os aliados de ambos os partidos. Um dia depois de sete pré-candidatos filiados ao PMDB, PCdoB, PV e PT se unirem e confirmarem que ainda estão no páreo, foi a vez de o PDT se manifestar. O diretório municipal do partido divulgou nota confirmando o nome do presidente municipal, o ex-deputado federal Sérgio Miranda, na disputa pela prefeitura. Segundo ele, os “novos acontecimentos” não afetam o projeto do partido de trabalhar pela formação de uma frente de centro-esquerda para a cidade.

30-01-08 08:41:42,