Privacidade em risco na Internet

por Léo Quintino Email

De O Tempo:

Quem nunca deu buscas na Internet com o próprio nome ou com o de algum conhecido apenas para verificar o que vai encontrar? Mas o resultado pode surpreender muitas pessoas pela riqueza de detalhes. Endereço residencial e do trabalho, telefone fixo e celular, horários de atividades e outros dados pessoais podem ser obtidos na rede virtual, que promove uma verdadeira devassa na vida de qualquer anônimo. Para os especialistas, a falta de um controle adequado sobre a divulgação de informações na rede mundial de computadores é a maior ameaça ao que entendemos por privacidade. Para a polícia, a exposição representa risco.

Na avaliação da delegada Andréa Ferreira Silva Araújo, titular da Delegacia Especializada na Repressão ao Crime Informático e Fraudes Eletrônicas de Minas Gerais (Dercife), os dados da Internet podem estar alimentando vários tipos de crimes praticados mesmo fora do mundo virtual. “A Internet, infelizmente, também favorece o mundo do crime. Qualquer atividade na rede deixa rastros para pessoas mal-intencionadas, seja de forma voluntária ou não. Mas a maior problemática está nos próprios usuários que informam de forma espontânea dados pessoais na web", ponderou a delegada.

Para ela, a explosão de crimes praticados com a ajuda ou por intermédio da Internet está calcada em três bases: legislação falha, falta de efetivação da lei e contribuição indireta do usuário.

Segundo Andréa, um dos maiores exemplos de ingenuidade praticada pelos internautas no Brasil é o hábito de contar sua rotina na Internet seja em blogs ou sites de relacionamento virtual como o Orkut e MySpace. Conforme a delegada, para cada cem delitos registrados na Dercife, ao menos 80 estão relacionados a crimes contra a honra cometidos pelo Orkut. Em segundo lugar estão os crimes patrimoniais, seguidos pela pedofilia.

O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações (D.I) da Polícia Civil de Minas, revela que uma quadrilha desmantelada no Rio de Janeiro pela polícia garimpava informações de terceiros na Internet para aplicar o golpe do falso seqüestro por telefone. “As pessoas devem ficar de olho e tomar muito cuidado. Meu conselho é que ninguém informe dados pessoais na Internet, nem em lugar nenhum. Só em último caso e desde que você saiba para quem está fornecendo", alertou a autoridade policial.

Ainda encantadas com as possibilidades e facilidades oferecidas pela Internet, as pessoas acabam abastecendo a rede com seus próprios dados e se registram em redes sociais (Orkut, MySpace e outros), colocam fotos no Flickr e vídeos no YouTube, além de preencher cadastros nos mais variados tipos de páginas eletrônicas (bancos, locadora de vídeo, supermercados virtuais e outros). E, a partir daí, as possibilidades de controle sobre os dados se tornam remotas.

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