Presidente do PSDB nega isolamento de Aécio

por Léo Quintino Email

No Hoje em Dia, de Alex Capella:

Na tentativa de evitar que o grupo tucano mineiro se rebele contra a ala paulista e comprometa a intenção da legenda de disputar unida a Presidência da República, em 2010, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), esteve ontem em Belo Horizonte e reafirmou, ao lado governador Aécio Neves, que o partido ainda não se definiu o candidato. A afirmação ocorre logo depois de o governador de São Paulo, José Serra, ter convidado o ex-governador paulista Geraldo Alckmin para a Secretaria de Desenvolvimento do seu Governo. O gesto foi comemorado pelos aliados de Serra, que deram a possível pré-candidatura do governador mineiro, “isolado” no partido, por encerrada.

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Até então, Alckmin vinha sendo a única resistência na ala tucana paulista à pré-candidatura de Serra. O ex-governador, crítico da reeleição do prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM), até então era visto como o interlocutor de Aécio no tucanato paulista. Com a sua nomeação, os aliados de Serra entenderam que o caminho ficara livre para a pré-candidatura de Serra. “Não há nenhuma tentativa de isolar ninguém, muito menos o governador de Minas que não depende disso. É uma ação unificadora do PSDB de São Paulo, que é muito importante para o PSDB no geral. É uma coisa de São Paulo, própria de São Paulo e, evidentemente, política porque é uma coisa entre políticos, mas não tem nada a ver com Aécio”, disse Guerra.

Interlocutores de Aécio garantem que, se o PSDB impor a candidatura de Serra, sem que as prévias sejam levadas em consideração, o governador mineiro poderá se transferir de partido para viabilizar seu nome já em 2010.

O presidente do PSDB garantiu que o fortalecimento do partido em São Paulo é um fato local e, assim como Aécio articulou uma aliança com o PT em Belo Horizonte, na capital paulista o governador Serra tem o direito de liderar as ações da legenda localmente, sem impactos nos interesses nacionais da legenda.

“A união dos paulistas tem tanto a ver para o PSDB e para o José Serra quanto tem a ver para o PSDB e para os mineiros a união dos mineiros. Não tem nada ver uma coisa com a outra. Serra faz política em São Paulo, Aécio faz política aqui, em Minas Gerais”.

Ao tentar acalmar os ânimos do grupo ligado ao governador mineiro, o presidente do PSDB deseja manter acesa a possibilidade de o partido contar com duas alternativas para 2010. A intenção é fazer com que o nome seja definido apenas no segundo semestre. “Certas pessoas do partido podem preferir um candidato ou outro, ou potenciais candidatos, mas o PSDB não cuidou de eleição de presidente da República, não tem preferência neste momento. Temos a convicção de que podemos ganhar a eleição com Aécio Neves ou com José Serra”.

A direção nacional do partido já consultou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no final do ano passado, sobre a possibilidade de realizar prévias antes das convenções. Guerra ponderou que o uso das prévias ocorrerá se o partido não conseguir um consenso. “Haverá duas alternativas. Uma, a primeira, de entendimento entre nossos potenciais candidatos. Segundo, na falta desse entendimento, uma prévia aberta, aceita, tranqüila, de todos nós para escolha de um candidato”, assegurou Guerra.

O senador aproveitou para rebater as declarações do presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia. O deputado disse que Serra ditará o rumo do DEM em 2010. “O próprio Rodrigo me disse, várias vezes, que essa era uma questão nossa, que o PSDB escolheria seu candidato e que o apoio do DEM era ao candidato do PSDB. Isso eu ouvi dele, ouvi de todas as grandes lideranças do DEM. Essa é a posição deles, de apoiar um candidato do PSDB e de negociar conosco um grande acordo nacional, que nós esperamos construir”.

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