Prefeitura de BH admite manter Rodoviária no Centro

por Léo Quintino Email

No Hoje em Dia, de Denise Motta:

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) contratou um estudo para verificar a viabilidade de manutenção do terminal rodoviário no hipercentro. O tema foi alvo de discussão ontem entre vereadores e o prefeito Marcio Lacerda (PSB), conforme informou o líder de governo, indicado na noite de quarta-feira, Paulo Lamac (PT). Segundo o petista, estão sendo avaliadas intervenções no entorno da rodoviária e Lacerda só apresentará uma nova proposta para o terminal quando “estiver convencido de que ela é a melhor solução” para o intenso tráfego de veículos.

“Está sendo feito um estudo pela BHTrans para se verificar a possibilidade de aproveitamento do atual terminal. O prefeito colocou isso agora na reunião com a mesa da Câmara. Estuda-se a possibilidade de adaptação do atual terminal, ajustes nas imediações, soluções viárias para não descartar essa permanência do atual terminal”, afirmou Lamac depois da reunião com o prefeito e os colegas. Ainda de acordo com o petista, a possibilidade de mudança do terminal não está descartada, apesar da avaliação de permanência estar sendo feita.

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Independente do local em que o terminal rodoviário funcionar, este estudo é a primeira demonstração objetiva da administração Lacerda, indicando cumprimento à promessa de campanha, na qual o pessebista se comprometeu a rediscutir o polêmico tema.

O projeto da nova rodoviária foi apresentado e aprovado durante a gestão do antecessor de Lacerda, o petista Fernando Pimentel. Lacerda se comprometeu, em seu programa de governo, a fazer a mudança, mas recuou depois de pressão popular. Moradores da região organizaram manifestações e vereadores em campanha pressionaram, levando o pessebista a recuar.

Presente à reunião, a presidente da Câmara Municipal, Luzia Ferreira (PPS) analisou como muito positiva a reavaliação do prefeito.

“Do ponto de vista da população, é melhor no Centro. Do trânsito intenso, não. Tudo tem dois lados”, disse ela. Luzia Ferreira disse que Lacerda, além de ter informado aos vereadores a respeito de estudos para avaliar a viabilidade de manutenção da rodoviária no Centro; afirmou que necessita de mais estudos técnicos para descartar ou não a área da Região Oeste como potencial terreno da nova rodoviária. “Ele disse que precisa de mais estudos e vai discutir com os vereadores”.

Também participante da reunião de ontem, o 2º secretário da Câmara Municipal, vereador Bruno Miranda (PDT), afirmou que o posicionamento do prefeito em relação à possibilidade de permanência do terminal foi claro. “Ele disse que, de repente, a princípio, a solução não seria mudar a rodoviária, mas sim readequar o trânsito. A partir do momento que ele abre essa possibilidade é importante. O Pimentel não abriu essa porta”, disse Miranda, contra a mudança do terminal para o Calafate, na Região Oeste.

O prefeito afirmou que a PBH encomendou um estudo para identificar os impactos da nova rodoviária na Região Oeste, especialmente no Bairro Calafate, onde fica o terreno destinado a abrigar a obra.

Ele alegou que o problema ocasionado pelas chuvas, na área em que foi proposta a nova rodoviária, na Região Oeste, tem solução rápida e não acarretaria em dificuldades na viabilização do empreendimento. “Os problema das chuvas, de alagamento, serão resolvidos de outra maneira. Toda Tereza Cristina tem que ter obras”, disse o prefeito. Ele também disse que, em relação à rodoviária, “todas as possibilidades estão sendo analisadas, inclusive a manutenção”.

Pistas exclusivas aliviariam tráfego

Doutor em Planejamento de Transportes da Fundação Dom Cabral, Paulo Tarso Resende avaliou que as intervenções viárias no Centro, para a manutenção da rodoviária na região, seguiriam três frentes.

A primeira diz respeito à garantia de acesso exclusivo para ônibus no local, permitindo entrada e saída específicas para estes veículos. A segunda frente se refere ao acesso de pessoas ao local. “Seriam construções de passarelas e aumento na capacidade de estacionamento”, disse o especialista. A terceira, conforme o especialista, seria a restrição na circulação de veículos no entorno do terminal rodoviário. “Na minha opinião, deveria haver mudança nas ruas”, avaliou Resende, contra a mudança para o Calafate (Região Oeste)e também a manutenção no Centro. “A rodoviária tende a crescer mais e não comporta esse crescimento. A solução no Calafate é desastrosa”, opinou Resende. Ele ainda disse ter sempre defendido que a nova rodoviária fosse construída na divisa de Belo Horizonte com Contagem, “onde é possível integração com o metrô”.

Soluções para o problema do intenso tráfego no hipercentro não faltaram durante a campanha eleitoral do ano passado. Grande parte dos candidatos a prefeito pregou as construções de vários terminais, em diversas saídas da cidade.

Líder de governo, o vereador Paulo Lamac disse que, passadas as discussões acaloradas do período eleitoral, é tempo de se analisar a questão de maneira prática. “No período eleitoral, o prefeito, então candidato, se comprometeu a reavaliar. E está cumprindo”.

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