Pré-candidatos reagem a dobradinha PT-PSDB em BH

por Léo Quintino Email

Do Estado de Minas:

O avanço das conversas entre PSDB e PT, comandadas pelo governador Aécio Neves e pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, em busca de uma aliança entre as siglas na disputa pela sucessão municipal, causou ontem a primeira reação mais contundente entre os aliados. Descontentes por terem sido excluídos das negociações entre tucanos e petistas sobre a possível dobradinha, seis pré-candidatos ao pleito pelo PV, PMDB e PCdoB, além de um do PT, se reuniram ontem para reafirmar as intenções de concorrer à prefeitura. O grupo divulgou documento apresentando diretrizes programáticas comuns e fez questão de deixar claro que manter boas relações institucionais com os governos do estado e federal – principal argumento dos defensores da dobradinha para justificar a aliança PT-PSDB – também não será problema para eles.

“Nós, pré-candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, temos clareza de que, para administrar a terceira capital do país, não basta ter boas relações com outras instâncias de governo, o que é óbvio. É preciso, sobretudo, um ambiente nacional favorável aos investimentos através do desenvolvimento com distribuição de renda”, diz o texto, assinado pelos pré-candidatos Antônio Roberto e Ronaldo Vasconcellos, do PV, Leonardo Quintão, Sávio Souza Cruz e Gilberto Abramo, do PMDB, Jô Moraes (PCdoB) e Rogério Correia (PT). No documento, eles assumem o compromisso de lutar pela manutenção dos investimentos federais na capital, defender a reforma tributária, a queda dos juros e garantir recursos para programas sociais e, na campanha, prometem uma convivência pacífica.

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Nos discursos, os pré-candidatos deixaram claro o descontentamento com o fato de petistas e tucanos estarem dominando as articulações para o pleito. “O fato concreto é que há um conjunto de forças políticas em BH, cada uma com seu projeto, e os destinos da capital não são exclusividade de dois partidos”, afirmou Jô Moraes (PCdoB). As articulações entre governador e prefeito também não agradaram ao peemedebista Gilberto Abramo. “Da maneira que tem sido colocado, é como se PSDB e PT tivessem fechado um acordo sem ouvir os outros. Causa até constrangimento o fato de termos tomado conhecimento, excluídos dos fatos, pelos jornais.”

O próximo passo do grupo, que anunciou a intenção de continuar conversando, é incluir líderes de expressão nacional na articulação. Eles pretendem procurar os ministros mineiros Hélio Costa (Comunicações, do PMDB), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do PT), Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência, também do PT), além do ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB-PE), e do próprio presidente Lula. Pretendem também conversar com outros partidos aliados, como PDT e PPS.

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