Polêmica depois da aliança
por Léo Quintino
Do Estado de Minas:
As discussões sobre as coligações para a disputa da prefeitura ainda não terminaram, mas os partidos já começam a pensar nas parcerias que farão para eleger o maior número de vereadores
A aliança que pode unir pela primeira vez PT e PSDB em torno de uma candidatura encabeçada pelo PSB à Prefeitura de Belo Horizonte ainda nem conseguiu se consolidar e já começa a trazer um outro problema para seus articuladores. O próximo impasse se dará no campo das coligações proporcionais, nas quais os aliados terão que ser encaixados na eleição para a Câmara Municipal. Enquanto os tucanos, que têm atualmente três cadeiras no Legislativo, falam na formação de um “blocão”, petistas, que têm a maior bancada na Casa (nove vereadores), querem se unir ao PSB sem a presença de outros partidos. Ambos estão de olho nos votos de legenda, já que os socialistas terão mais visibilidade por ter o candidato a prefeito.
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O assunto começou a ser discutido nas bancadas, que em breve vão se posicionar diante das direções dos partidos. Os vereadores fazem diferentes contas de quantos poderão eleger dependendo das siglas com as quais estiverem coligados. Nos bastidores, o PSDB teria se manifestado no sentido de que, não tendo o cabeça-de-chapa nem o vice, deveria estar junto com o PSB para garantir mais cadeiras. Os cálculos são de que o voto de legenda no partido do candidato a prefeito renderia geralmente duas vagas. O PSDB tem três vereadores candidatos à reeleição e o PT oito, já que o vereador Carlão não vai concorrer.
Segundo o vereador Henrique Braga (PSDB), os pré-candidatos a vereador do partido foram convocados para reunião na terça-feira, na qual os atuais parlamentares vão defender uma coligação ampliada com o PSB. “Fizemos coligação com o PSB na última eleição (2004) e isso favoreceu bastante. Na época, sem a aliança, cada partido teria eleito dois vereadores e este número subiu para três do PSDB e três do PSB.” A estimativa do vereador para este ano é de que, sozinho, o PSDB aumente a bancada para cinco parlamentares e, coligado, chegue a sete. Porém, segundo Braga, se a dobradinha com os petistas se consolidar no campo majoritário, os tucanos querem uma aliança ainda maior. Seria formado um chapão, nos moldes do formado para a última eleição para deputados no estado, entre PT, PSDB, PMN, PSB e PP. “Vamos defender a formação do chapão com esses partidos como foi feito em 2006 no plano estadual. Com isso poderemos eleger entre 15 e 20 vereadores.”
Conversas Na bancada do PT, no entanto, a conversa é diferente. Os vereadores querem a coligação exclusiva com o PSB. “Tiramos um indicativo de que a direção do partido procure o PSB. Entendemos que se os dois partidos podem estar juntos na eleição majoritária também podem estar na proporcional para ajudar na governabilidade”, afirmou o líder do PT, Tarcísio Caixeta. De acordo com ele, a união das siglas potencializa o desempenho dos partidos nas urnas. A opção pelo PSB, no entanto, segundo Caixeta, não impede conversas com outras siglas.
Embora defenda que o assunto seja adiado até que se resolva o impasse sobre a disputa à prefeitura, a vereadora Neila Batista (PT) é mais clara quanto à coligação proporcional. Só interessa o PSB. “Uma coligação com o PSB seria interessante porque a votação para prefeito influi na soma de votos dos vereadores. Mas se eles estiverem combinando uma coligação com outro partido não seria possível, porque certamente o PT perderia de três a quatro vagas.” Contrária à dobradinha na aliança majoritária, Neila também considera a união com o PSDB na chapa proporcional fora de questão.
O presidente do PT, Aluísio Marques, afirmou que o partido vai discutir com seus pré-candidatos, mas pretende procurar o PSB para discutir a aliança proporcional. Segundo ele, por não ter seu número na cabeça-de-chapa, a sigla perde um pouco de espaço e a união com o PSB, que terá o número mais divulgado na campanha, renderia mais votos. Os cálculos são que de nove a 10 cadeiras o PT passe, com o PSB, para 12 ou 13 cadeiras. No PSB e PSDB, os dirigentes afirmam que o assunto ainda entrará em discussão e será uma posição conjunta dos vereadores e o Diretório Municipal.

12-05-08 10:58:58,