PF pode ter ajuda estrangeira no caso Camargo Corrêa
por Léo Quintino
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A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) estudam solicitar a colaboração de autoridades financeiras do Uruguai e do Peru para apurar os métodos utilizados por funcionários da empreiteira Camargo Corrêa para, supostamente, enviar ilegalmente recursos ao exterior, disse nesse domingo uma fonte da PF.
De acordo com o relatório da operação Castelo de Areia, que prendeu quatro diretores, duas secretárias da construtora e quatro supostos doleiros na semana passada, foi verificada uma remessa de U$ 800 mil a uma empresa de fachada que teria operações nos dois países da América do Sul.
Uma cópia do documento obtida pela agência “Reuters” afirma que “há sérios indícios no sentido da perpetração de operações referentes ao envio ilegal de remessas de valores ao exterior por Diney e Jadair para o Grupo Camargo Corrêa, bem ainda de eventual delito de ‘lavagem’ de valores, inclusive através da utilização de empresas de fachada".
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Diney e Jadair seriam os doleiros Jadair Fernandes de Almeida e José Diney dos Santos, que foram presos na operação junto com os funcionários da Camargo Corrêa.
No total, dez pessoas suspeitas de participar do esquema de crimes financeiros, superfaturamento de obras, fraude em licitações públicas, lavagem de dinheiro e doações ilegais a partidos políticos foram detidos na semana passada.
No sábado, a desembargadora Cecília Mello, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, concedeu liminar em habeas corpus e determinou a soltura de todos os investigados, contrariando a ordem de prisão temporária expedida pelo juiz federal Fausto De Sanctis.
Uma fonte da PF ligada à operação afirmou ontem que a cooperação internacional “é fundamental para revelar os mecanismos utilizados pela organização criminosa para a prática dos crimes financeiros".
Segundo o relatório da PF, as ações dos indivíduos buscariam inicialmente dar um caráter lícito às transações financeiras no exterior, a pretexto de supostos pagamentos a fornecedores, para, em seguida, pulverizar os valores no exterior.
OAS. Um outro relatório da PF sobre a operação Castelo de Areia segue o rastro do suposto doleiro Kurt Paul Pickel, apontado como articulador de suposto esquema de crimes financeiros da construtora, também detido na quarta-feira.
O material revela que a PF investigou, além da Camargo Corrêa, uma segunda empreiteira, a OAS. Foram monitorados ainda contatos do doleiro com Lázaro de Mello Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco.
Além de escutas, a PF usou até um informante infiltrado na OAS em busca de indícios de lavagem de dinheiro. Além de interceptar telefonemas entre Lázaro Brandão e Pickel, a PF seguiu um motorista do banqueiro até a casa do doleiro.

30-03-09 09:13:59,