PF mira nas doações ilegais

por Léo Quintino Email

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A Polícia Federal (PF) já tem em mãos os nomes de políticos e servidores públicos que receberam dinheiro da empreiteira Camargo Corrêa. A PF investiga agora se os repasses foram feitos ou não em troca de a empresa ser favorecida nos projetos para obras em diferentes cidades do país. Durante as buscas, os policiais encontraram na casa de um dos diretores da empreiteira preso anteontem, Darcio Brunato, uma lista com vários nomes de políticos e siglas de partidos que estariam acompanhados das quantias distribuídas individualmente. A maioria das doações giraria em torno de R$ 100 mil.

Inicialmente, a PF tem informações de que políticos de pelo menos sete partidos - PSDB, DEM, PDT, PSB, PMDB, PPS e PP - foram diretamente beneficiados no esquema.

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Em meio às investigações, a PF descobriu que haveria um cartão de memória contendo todas as informações na casa de Brunato. Como os investigados começavam a eliminar provas, segundo revelado nas conversas telefônicas interceptadas com a autorização judicial, memórias de computadores foram trocadas ao longo das investigações. No entanto, uma planilha com repasses da empreiteira para deputados, senadores e funcionários de estatais revela o destino de parte dos recursos obtidos pela quadrilha, supostamente a partir do superfaturamento de obras.

A PF estima que pelo menos metade dos cerca de R$ 30 milhões que teriam sido desviados pelo grupo serviram para abastecer campanhas políticas. A planilha, feita em computador, teria anotações a lápis. A procuradora da República Karen Louise Kahn, responsável pelas investigações, disse que, nos diálogos, políticos e diretores da Camargo Corrêa falavam em pagamentos “por dentro e por fora".

“Há indícios de que a empresa fazia esses pagamentos (aos políticos) em troca de favorecimento. O dinheiro era distribuído tanto de forma legal, em doações registradas na Justiça Eleitoral, como também “por fora", segundo constatamos em conversas telefônicas", disse a procuradora.

Há também, segundo relatório da Justiça paulista, o registro de conversas telefônicas em que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, é apontado como o intermediário entre a empreiteira e “gente” de Brasília.

Numa conversa gravada entre o vice-presidente da Camargo, Fernando Botelho, e um dos diretores presos na operação Castelo de Areia, Pietro Bianchi, Skaf teria cobrado o pagamento de valores. A PF também interceptou num diálogo entre Bianchi e outro diretor, Darcio Brunatto, a citação ao nome do dirigente da Fiesp, quando é dito que foram pagos “300 mil a Agripino e partido” e “200 a Flexa Ribeiro".

A polícia não tem interceptação telefônica de conversas feitas por Paulo Skaf. Em nota oficial, a entidade rebateu as acusações e disse que é uma organização “apolítica".

Para a polícia, a distribuição dos recursos que seriam intermediados por Skaf chegariam aos senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O gabinete de Agripino exibiu o recibo de doação de R$ 300 mil ao partido. Flexa Ribeiro também confirmou a doação da empreiteira, mas alegou tratar-se de recursos legais.

Fantasmas. Ninguém conhece a empresa Admaster, suspeita de envolvimento no suposto envio ilegal de dólares para o exterior. No endereço onde deveria funcionar o instituto Pirâmides estão instalados um escritório de advocacia e uma escola.

Segundo a Procuradoria da República, o Pirâmides e a Admaster mandaram ilegalmente mais de R$10 milhões para o exterior. As duas empresas do Rio tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados por ordem da Justiça. Segundo a PF, as empresas eram usadas por doleiros a serviço da Camargo Corrêa e serviam para encobrir os verdadeiros donos do dinheiro.

Petrobras

Autos. O TCU detectou o superfaturamento nas obras da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, citado na Castelo de Areia. Foram constatadas 12 irregularidades e o valor superior foi estimado em R$ 81,5 milhões.

Leia mais: Corregedor vai apurar as doações para senadores

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