PF estoura esquema de crime financeiro em MG
por Léo Quintino
De Amália Goulart, no Hoje em Dia:
Sete pessoas foram presas acusadas de causar um rombo de R$ 10 milhões à Caixa Econômica Federal
A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta terça-feira (31), sete pessoas acusadas de causar um rombo de R$ 10 milhões à Caixa Econômica Federal (CEF), outras instituições bancárias e a militares da Aeronáutica. Foram cumpridos 86 mandados de busca e apreensão, incluindo o sequestro de bens. Entre eles, estão 40 veículos, a maior parte de luxo, além de 20 imóveis. Até granadas foram apreendidas. O alvo da operação, batizada de “Gizé” – lembrança à pirâmide financeira – foi a empresa Filadélphia Empréstimos Consignados Ltda, com unidades em Lagoa Santa e Belo Horizonte.
O seu proprietário, Carlos Henrique Viana, e seu irmão, o vice-presidente da empresa, Daniel Vieira, foram detidos e encaminhados à sede da PF, na capital mineira. O empresário foi surpreendido pelos agentes poucas horas depois de retornar de uma festa. Na residência, de alto padrão, localizada em Lagoa Santa, foram apreendidos três veículos. A quadrilha atuava em 22 estados brasileiros, mas a operação ocorreu apenas em Minas.
Segundo o delegado de repressão aos crimes financeiros e desvio de dinheiro público, Mário Veloso, o grupo operava no ramo de empréstimos consignados e seguro automotivo. Dois gerentes da CEF foram presos, acusados de receber vantagens financeiras em troca de beneficiar a quadrilha. “O líder, que é o presidente, entrou em contato com os gerentes da Caixa para fornecer financiamentos à Filadélphia, mediante vantagens indevidas. O dinheiro era usado como capital de giro”, afirmou o delegado.
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Pelo esquema, se um militar procurasse a empresa para um empréstimo consignado, era direcionado a uma instituição bancária. Os chefes do esquema orientavam o cliente a contratar um financiamento maior que o valor pretendido. Se, por exemplo, um militar almejasse um empréstimo de R$ 15 mil, era persuadido a requerer R$ 25 mil.
Os R$ 10 mil de diferença eram reemprestados pelo cliente à Filadélphia, que pagava juros acima dos praticados no mercado. Segundo o delegado, dessa maneira, a parcela paga pelo militar ao banco ficava menor, mas criava um passivo na empresa. “Era vantajoso para o cliente”, afirmou Veloso. Ele irá colher o depoimento das vítimas para saber se possuem ou não envolvimento no esquema.
O problema, segundo os federais, é que a empresa aplicava o dinheiro dos clientes em imóveis e carros de luxo, aumentando o patrimônio, e não tinha autorização da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central para atuar. A PF alega que a Filadélphia pretendia deixar de remunerar os clientes e, esses, causariam um rombo às instituições financeiras, pois, em um curto período, a empresa não teria mais capital para bancar os empréstimos. As taxas de juros oferecidas variavam entre 2,5% e 5% ao mês.
Cerca de 80% dos clientes são militares. O presidente da empresa e um dos vice-presidentes presos são aposentados da Aeronáutica. Entre os presos ainda está um segurança da Filadélphia. Na casa dele foram apreendidas cinco armas de fogo sem registro. “Uma delas é de uso restrito”, afirmou o delegado. Por isso, o segurança foi detido em flagrante. Também estão presos dois gerentes da CEF e um contador.

01-02-12 08:56:00,