Opportunity tem US$ 2 bi de contas bloqueados
por Léo Quintino
No Hoje em Dia:
O Ministério da Justiça bloqueou mais US$ 2 bilhões em contas bancárias mantidas no exterior e relacionadas à Operação Satiagraha, que investigou crimes de corrupção, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, o dinheiro é do banco Opportunity, o que inclui o banqueiro Daniel Dantas e seu sócio, Dorio Ferman.
A Operação Satiagraha ocorreu em 8 de julho do ano passado. Entre os presos estavam o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e Dantas. Segundo o Ministério da Justiça, do total bloqueado - que equivale a R$ 4,5 bilhões - cerca de US$ 500 milhões resultaram de cooperação do Governo americano. Outros US$ 46 milhões foram bloqueados em 2008 e estavam em contas no Reino Unido. A Procuradoria, porém, contesta o valor total bloqueado. O órgão confirma apenas o bloqueio do dinheiro na Inglaterra e cerca de US$ 450 milhões nos Estados Unidos.
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Além do dinheiro em contas no exterior, também foram bloqueados R$ 545,7 milhões no Brasil que estavam na administradora de fundos BNY Mellon Serviços Financeiros, e outros R$ 10 milhões foram transferidos do Banco Opportunity para uma conta de uma irmã do presidente do banco, Dorio Ferman, logo após a Satiagraha.
O Opportunity ainda não se posicionou sobre o bloqueio das contas. O advogado Nélio Machado, que defende Dantas, não respondeu aos contados da reportagem.
Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram há cerca de quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados ao mensalão. A partir de dados enviados pelo Supremo Tribunal Federal para a Procuradoria da República em São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da PF, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas. Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
O ministro da Justiça, Tarso Genro, elogiou o trabalho que resultou no bloqueio do dinheiro suspeito.

23-01-09 11:39:34,