Oposição parte para o ataque em Minas

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Juliana Cipriani:

O ano eleitoral começou agitado no Legislativo. A oposição ao governador Aécio Neves (PSDB) na Assembleia Legislativa resolveu partir para o ataque na volta dos trabalhos. Depois de iniciarem o processo de obstrução das votações de plenário, os parlamentares do PT, PMDB e PCdoB estão pedindo uma audiência pública para cobrar explicações do programa estadual que concede ajuda financeira aos municípios sobre o qual levantam suspeitas de uso eleitoral. Não bastasse, se articulam para atrair aliados governistas para o bloco oposicionista.

Conforme a oposição, o governo não cumpriu o acordo de recontratar, até janeiro, 276 agentes penitenciários demitidos por fazerem greve no ano passado e não está liberando as emendas parlamentares de R$ 1,5 milhão cada da oposição. Na quarta-feira, o estado apresentou um relatório informando que 105 agentes estavam sendo convocados via internet e 84 já tinham sido reconduzidos. Outros 55 não foram aprovados no processo de requalificação por não passarem no teste psicotécnico, falta ou nota insuficiente e, por acordo, terão uma segunda oportunidade. De acordo com os governistas, outros 14 convocados não atenderam ao chamado. “A meu ver, o acordo está sendo cumprido”, afirmou o deputado João Leite (PSDB).

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Enquanto isso na tribuna, o deputado André Quintão (PT) anunciou que a oposição entrou com requerimento de audiência pública para averiguar o programa de compensação aos municípios pela crise financeira de 2009. Segundo os oposicionistas, que ameaçam acionar a Justiça, só prefeitos aliados da base ou apoiadores do governo estariam sendo atendidos e há risco de uso eleitoral. “Está havendo uma pressão por debaixo dos panos e até uma coação, muitas vezes não autorizada. Não acredito que o governador Aécio Neves e o vice Anastasia concordem com esse tipo de política atrasada”, afirmou Quintão. O líder do bloco PT/PMDB/PCdoB, Padre João (PT), disse que a obstrução continua até que os acordos sejam efetivados. “Não acreditamos mais em palavras.” Padre João iniciou um trabalho para agregar novos aliados do presidente Lula na força de oposição, a exemplo do que se pretende fazer no campo eleitoral. O primeiro assediado será o PDT. “Temos o Carlos Lupi (PDT), que é ministro do Lula e no plano nacional já foi fechada aliança. Então, vamos buscar partidos aliados do Lula para se juntar a esse esforço também aqui”, disse.

O líder do governo, Mauri Torres (PSDB), acredita que o impasse com a oposição se resolva até a semana que vem. “A gente vai resolver essas pendências. A reunião de hoje (ontem) foi boa e a Secretaria de Governo também já vai autorizar o pagamento das emendas. Além disso, é uma obstrução a projetos de deputados, pois não tem nada do governo em pauta”, afirmou. Sobre o assédio ao PDT, Mauri Torres, afirmou que o partido está alinhado com o governo desde a primeira gestão e não tem motivos para deixar a base. “Temos plena confiança no PDT.” Mauri Torres também negou qualquer uso eleitoral do programa de financiamento. “Essa preocupação não procede. O governo, em nenhum momento, fez discriminação a ninguém. Se você procurar os prefeitos de Minas, todos vão dizer que foram atendidos pelo estado.”

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