Obama quer reduzir arsenal nuclear de EUA e Rússia

por Léo Quintino Email

Na Folha Online:

O presidente dos EUA, Barack Obama, pretende propor à Rússia uma redução de 80% dos arsenais nucleares dos dois países, e a iniciativa foi bem recebida na Rússia, afirma nesta quarta-feira a versão eletrônica do diário “Times".

Ainda nesta quarta-feira, a Rússia disse que quer ajudar os EUA a estabilizar o Afeganistão e a combater o terrorismo.

De acordo com o diário, Sergei Ivanov, vice-premiê russo, disse que a Rússia está pronta para assinar um novo tratado sobre mísseis com os EUA.

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“Damos as boas vindas às declarações da nova administração Obama de que eles estão prontos para entrar em conversas e completar, em até um ano, nesse prazo bem determinado, a assinatura do novo tratado Rússia-EUA de limitação das armas estratégicas de ataque", disse Ivanov, ex-ministro da Defesa, citado pelo “Times".

“Também estamos prontos para isso, sem dúvidas", acrescentou.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado pelos EUA e pela União Soviética em 1991, deve expirar em dezembro. O acordo reduziu pela metade os arsenais dos dois países –de 10 mil para 5 mil ogivas–, mas houve pouco progresso na negociação de um novo tratado.

Escudo antimísseis

Segundo o diário, as conversas falharam em parte devido “ao entusiasmo do ex-presidente George W. Bush (2001-2009) em instalar um escudo de defesa de mísseis no Leste Europeu, uma medida que enfureceu a Rússia".

Obama não disse quando irá levar o plano do escudo adiante, que consiste em um sistema de defesa com dez interceptores de mísseis, a serem instalados na Polônia e uma estação de radar na República Tcheca. Os planos de Bush foram fonte de atrito entre Rússia e EUA recentemente.

Um atraso no programa do escudo pode diminuir as preocupações russas e abrir caminho para as negociações sobre a redução de arsenais para que cada país fique com 1.000 ogivas. “Estamos prontos para nos envolvermos em um diálogo mais amplo com os russos sobre assuntos que os interessam", disse uma autoridade da Administração americana ao “Times".

“Se a administração americana realmente quer diminuir radicalmente os arsenais estratégicos de EUA e Rússia para 1.000 ogivas, isso inegavelmente seria um passo que poderia promover o desarmamento nuclear", disse o coronel general russo Viktor Yesin.

“Porém, com tais reduções dos arsenais militares, um nível igual de segurança para Rússia e EUA poderia ser garantido apenas com a condição de que Washington desista da ideia de instalar (…) seu sistema de defesa de mísseis na Europa", completou.

Afeganistão

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse nesta quarta-feira que o país e ex-repúblicas soviéticas aliadas querem ajudar os Estados Unidos a combater o terrorismo na Ásia Central e, mais especificamente, a estabilizar o Afeganistão. Segundo ele, essas nações “se dispõem a uma cooperação total e universal com os EUA e outros Estados que participam da coalizão de luta contra o terrorismo na região".

A declaração surge apenas um dia depois de o Quirguistão ter anunciado que determinará a saída dos americanos da base aérea de Manas, a última utilizada pelo país na região da Ásia Central. Essa “expulsão” foi uma exigência da Rússia para a concessão de US$ 2 bilhões em empréstimo e de mais US$ 150 milhões em ajuda financeira ao Quirguistão.

Em encontro com representantes da Armênia, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, nesta quarta-feira, Medvedev anunciou a criação de uma tropa regional que terá 10 mil homens e comando único para substituir uma tropa existente que tem 3.000 homens e comando incerto.

Recentemente, o vice-chanceler russo Grigory Karasin disse que a Rússia quer colaborar com os EUA no Afeganistão para ter “sucesso conjunto". Ele dizia que o país liberaria, em breve, o transporte de suprimentos para as tropas no Afeganistão em seu território e que, depois, queria ser “flexível em outros setores".

Nas declarações desta quarta-feira, depois de anunciar a criação da tropa, Medvedev embutiu prováveis críticas à atuação dos EUA no Afeganistão. “É preciso criar sistema político maduro tendo em mente tradições culturais e históricas. A democracia não pode ser forçada. Ela precisa vir de dentro.”

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