Newtão conta seus cifrões

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Isabella Souto:

Ex-governador reage e diz que tem muito mais dinheiro do que a ex-mulher enumera no processo judicial, mas nega que seja proprietário de empresas em paraísos fiscais

O ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso (PMDB) usou da ironia para afirmar que é ainda mais rico do que se imagina: o seu patrimônio seria muito maior que os R$ 2,5 bilhões anunciados pela ex-mulher Maria Lúcia Cardoso (PMDB) em processo de separação judicial que corre na 3ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O valor exato não foi apresentado pelo peemedebista, mas, segundo ele, a ex-mulher não conhece todos os seus bens e a revista Veja – que publicou a matéria sobre a briga judicial pela divisão da fortuna – ignorou vários cifrões.

“A Veja, para escandalizar, escondeu meu patrimônio”, gabou-se o ex-governador, acusando a direção da revista de ser uma “imbecil”. Entre os bens listados por ele, 145 fazendas – ao invés das 100 citadas na matéria – , mais de 200 carros, uma praia na Bahia, um ilha em Angra dos Reis, a fábrica de sucos Goody, dois aviões e um helicóptero, um apartamento em Nova York, seis quartos de um hotel em Paris, um shopping e dois edifícios em Brumado, na Bahia, cidade onde nasceu, quatro apartamentos em hotel de Belo Horizonte, uma empresa de reflorestamento e aplicações no Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco Mercantil, sendo que em apenas uma delas teria mais de R$ 200 milhões.

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Embora estivesse com a lista dos bens em mãos, Newton Cardoso afirmou que somente um contador poderia mensurar o valor do seu patrimônio e que ele não saberia dizer “de cabeça”. O ex-governador chegou a sugerir aos repórteres que pesquisassem o valor de seus bens e “fizessem as contas”. Somente referente a uma empresa, ele comentou que pagou no ano passado mais de R$ 15 milhões em impostos. Newton Cardoso negou que seja proprietário de seis empresas em paraísos fiscais. “Fui apenas procurador de uma delas”, emendando que é um “homem sério e honrado” que acumulou fortuna com trabalho honesto, fazendo questão de assinalar que tudo foi acumulado depois de deixar o governo estadual.

Depois de 30 anos de união – dos quais 10 anos oficialmente –, Maria Lúcia Cardoso quer metade do patrimônio bilionário sob a alegação de que o casamento realizado em 25 de fevereiro de 1998 adotou o regime de comunhão parcial de bens. Informação que Newton Cardoso contestou ao apresentar o resultado de uma sindicância administrativa realizada pela Corregedoria-geral de Justiça. O documento diz que foi encontrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Japaraíba, cidade onde a deputada nasceu, apenas um pedido de registro de pacto antenupcial protocolado em novembro de 1998, e a oficialização da união estável, adotando-se a separação total, em 7 de dezembro.

POBREZA

O documento que atestaria a celebração de 25 de fevereiro não foi encontrado no cartório. Mas o advogado de Maria Lúcia Cardoso, Rodrigo da Cunha Pereira, já apresentou à Justiça a certidão do casamento que estava em posse da sua cliente e ajuizou na 6ª Vara de Família do TJDF uma ação para anular a conversão da união estável em casamento, datada de dezembro de 1998. “Por que a minha cliente iria abrir mão do patrimônio depois de 20 anos de união? Ela não fez nenhum voto de pobreza”, argumento Cunha Pereira.

O advogado argumenta ainda que vários atos das empresas tiveram a anuência de Maria Lúcia justamente porque o casamento adotou a comunhão parcial de bens – regime em que qualquer disposição patrimonial precisa da autorização do casal. Mas no processo que corre em Brasília, Newton Cardoso anexou a certidão onde é dito que o casamento foi feito em separação total de bens. Quem tiver apresentado o documento falso cometeu crime contra a fé pública e corre o risco de pegar até seis anos de prisão.

Ontem, Newton Cardoso afirmou que tem “pena” da ex-mulher, pois ela não terá direito a nenhum centavo do seu dinheiro e a aconselhou a fazer um “exame neurológico”, pois nunca a agrediu fisicamente, como ela alega na ação judicial. Sobre a Veja, assegurou que a mesma descumpriu liminar judicial que proibiu a veiculação da reportagem na quinta-feira passada, pois o processo de separação tramita em segredo de Justiça. Ainda afirmou que o repórter responsável pela matéria “não deve ter mãe” e que a revista pertence a “judeus que só pensam em dinheiro”. Afirmou além disso, que vai ficar ainda mais rico com a ação de danos morais que vai ajuizar. O editor sênior da revista, Júlio Cesar de Barros, preferiu não comentar o assunto.

BENS

• 145 fazendas
• 200 carros
• uma praia na Bahia
• uma ilha em Angra dos Reis
• fábrica de sucos Goody
• dois aviões e um helicóptero
• um apartamento em Nova York
• seis quartos de um hotel em Paris
• um shopping
• dois edifícios em Brumado, na Bahia
• quatro apartamentos em hotel de Belo Horizonte
• uma empresa de reflorestamento
• aplicações bancárias

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