Minas perde espaço no poder
por Léo Quintino
Deu no Tempo:
Dono da segunda maior bancada no Congresso Nacional (53 deputados federais e três senadores), Minas Gerais amarga atualmente uma espécie de recessão na Câmara e no Senado. Dois levantamentos realizados este ano na principal casa legislativa do país apontam a perda de espaço e de influência dos parlamentares mineiros nos bastidores do poder.
Na lista anual do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), onde são apontados os “cabeças” do Congresso, Minas aparece em sexto lugar ao lado de Bahia e Santa Catarina, com apenas cinco deputados considerados referências dentro das duas Casa este ano. Em 2002, quando pela última vez um parlamentar mineiro ocupou a presidência da Câmara (o então deputado Aécio Neves), Minas só perdia em influência para o Rio e São Paulo.
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No levantamento do Diap deste ano, Estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul, apesar de possuírem bancadas inferiores à dos mineiros, não só ultrapassaram Minas Gerais como têm o dobro de parlamentares “cabeças” no Legislativo.
“Sem dúvida a influência da bancada mineira está reduzida e pouco representativa diante do seu tamanho", constata Antônio Augusto de Queiroz, responsável pela pesquisa do Diap.
Segundo Queiroz, o levantamento para eleger os “cabeças” do Congresso é baseado em três critérios: institucional, ou seja, o posto ocupado pelo parlamentar na Casa, como liderança de partidos ou participação em comissões; reputacional, como o deputado é visto pelos colegas, e decisional, onde é medida a capacidade de liderar e influenciar outros parlamentares.
“Esse desempenho de Minas pode ser explicado em parte pelo fato de o governador (Aécio Neves) ter interlocução direta com o Executivo nacional. Ele, de certa forma, ofusca a bancada", avalia o dirigente do Diap. Ainda, conforme Queiroz, o crescimento da força de outros Estados superando Minas dentro do Congresso, como o Paraná, pode ter origem na diversidade partidária. “Alguns Estados têm poucos deputados, mas espalhados em diversos partidos", acrescenta.
Renovação
No entanto, para a deputada federal e candidata derrotada à Prefeitura de Belo Horizonte, Jô Moraes (PCdoB), a explicação para o recuo dos mineiros no Congresso é outra.
Líder do seu partido na Câmara, Jô aponta uma renovação significativa na bancada mineira nas eleições de 2006 como um “componente desfavorável” para a manutenção da influência do Estado.
“São 513 deputados e você leva um certo período para se consolidar como uma expressão. Leva tempo para se tornar referência. A renovação levou Minas Gerais para uma perda de continuidade e de espaço", acredita.
A deputada do PCdoB ainda critica uma ” ação fragmentada” dos mineiros. “Um deputado preocupa-se apenas com sua região, outro dedica-se a uma causa temática e o Estado, representado pela bancada, fica fora de grandes discussões no Congresso. Ao contrário da posturas de bancadas de Estados do Nordeste e do Sul".
Em outro levantamento feito este ano na Câmara e no Senado, dessa vez uma eleição com mais de 400 mil internautas promovida pelo site Congresso em Foco, Minas também repetiu o desempenho ruim. Nenhum parlamentar mineiro apareceu entre os nomes dos 16 senadores e 26 deputados federais mais lembrados pelo público. Os mais votados foram o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Fernando Gabeira.
Momento
Para o deputado mineiro Rafael Guerra (PSDB), eleito um dos “cabeças” do Congresso este ano pela capacidade de articulação, o momento de baixa dos parlamentares de Minas Gerais é temporário.
“Essas pesquisas e levantamentos são circunstanciais e variam ano a ano. Se este ano não tivemos tantas lideranças no próximo ano vamos ter presença mais ativa", arrisca.
Conforme Guerra, a bancada deve se fortalecer em 2009 já de olho nas eleições presidenciais de 2010.
“Minas deve conquistar mais espaço nesse período anterior a uma eleição tão importante". O momento ruim de Minas também pode ser medido pela participação do Estado no Senado, onde os três representantes mineiros não presidem nenhuma comissão, não lideram blocos e não integram a mesa diretora da Casa".

01-12-08 19:17:11,