Lula libera US$ 900 mi para Fidel

por Léo Quintino Email

Do Estado de Minas:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializará hoje em Havana o retorno da Petrobras a Cuba, com a assinatura de um acordo de cooperação com a estatal Cubana de Petróleo (Cupet). A empresa brasileira enviou duas missões técnicas à ilha em 2007, e firmou um memorando de entendimento para procurar petróleo em águas profundas cubanas, no Golfo do México. Segundo o acordo, a Petrobras vai treinar funcionários cubanos e oferecer ajuda no refino e nas pesquisas. Também se analisa a construção de uma fábrica de lubrificantes, embora questões como risco e contratos ainda estejam sendo negociadas.

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“O Brasil tem interesse em ajudar os cubanos a descobrir se há petróleo em águas profundas em Cuba, até porque Cuba está muito próxima do Golfo do México”, confirmou Lula em seu programa de rádio Café com o presidente. A idéia do governo é ampliar a relação com a ilha, para ajudar no processo de transição política, com a eventual morte de Fidel Castro. Nesse sentido, pretende-se dobrar os empréstimos a Cuba para compras de alimentos – para cerca de US$ 200 milhões (R$ 340 milhões) – e oferecer linhas de crédito no valor de US$ 600 milhões (R$ 1 bilhão) para a construção de estradas e US$ 70 milhões (R$ 120 milhões) para uma usina de níquel.

Também serão oferecidos financiamentos para projetos específicos na área de biotecnologia e outros setores. Lula desembarcou na capital cubana à noite, procedente da Guatemala, onde assistiu à posse do presidente Alvaro Colom. Em Cuba, o chefe de Estado brasileiro foi recebido pelo mandatário cubano em exercício, Raúl Castro. Lula se reunirá com Fidel Castro no fim da manhã de hoje, a portas fechadas. O dirigente cubano está afastado do poder desde agosto de 2006, por causa de grave doença intestinal.

ENCONTRO Lula se encontrará com Raúl e com o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón. Segundo o programa oficial divulgado pelo Itamaraty, a comitiva brasileira participará de uma cerimônia no Palácio da Revolução e visitará o memorial a José Martí – líder da independência de Cuba. Depois da assinatura dos acordos, as autoridades terão um almoço e, à tarde, visitarão o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de Cuba e a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam).

A delegação brasileira é formada pelos ministros de Relações Exteriores, Celso Amorim, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, de Educação, Fernando Haddad, e de Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O retorno a Brasília está previsto para as 19h.

O Brasil é o segundo sócio comercial de Cuba na América Latina e o quarto no continente, atrás apenas da Venezuela, Canadá e Estados Unidos. O intercâmbio aumentou de US$ 117,3 milhões em 2002 para US$ 453,5 milhões em 2006, segundo cifras oficiais.

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