Lula intervém para garantir aliança em BH

por Léo Quintino Email

Do Estado de Minas:

Depois de encontro com Aécio e Pimentel em Contagem, Lula telefona para o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e diz que é a favor da aliança com os tucanos em Belo Horizonte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou diretamente nas articulações do partido para tentar reverter o veto da Executiva Nacional petista à participação formal do PSDB na aliança para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, que terá como cabeça-de-chapa o secretário de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB). Durante visita a Contagem, ontem, Lula telefonou para o presidente nacional do partido, deputado federal Ricardo Berzoini, a quem disse clara e objetivamente estar contra a negativa à dobradinha. Avisou ainda que iria conversar com outras pessoas para tentar modificar o posicionamento da reunião do Diretório Nacional, marcada para esta sexta-feira.

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Um dia depois de a Executiva reafirmar o veto à aliança, Lula esteve com o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), principais articuladores da parceria entre PT e PSDB em Belo Horizonte, na solenidade de entrega da primeira locomotiva de grande porte no país, quando trataram do assunto. O veto da Executiva contra a participação dos tucanos na chapa Márcio Lacerda (PSB)-Roberto Carvalho (PT) foi aprovado na segunda-feira por 13 a 2 e, até o momento, a tendência é de que o Diretório, última instância do partido que reúne 81 membros, repita a decisão.

A ligação de Lula para Berzoini deixou os apoiadores da tese do entendimento animados. No AeroLula, na volta para Brasília, Lula fez mais um gesto ao colocar o deputado federal Virgílio Guimarães, padrinho político de Lacerda, a seu lado. Na ocasião, repetiu ser contra o veto. Na presença dos ministros da Comunicação, Hélio Costa (PMDB), dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, ele classificou a decisão da Executiva de inaceitável.

Aécio e Pimentel acordaram cedo para tentar convencer o presidente Lula a interferir nas negociações. Às 8h30 já estavam na pista da base aérea da Aeronáutica na Pampulha à espera do presidente, que chegou uma hora depois. Com o governador, o prefeito e o deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT), Lula embarcou no helicóptero da Presidência com destino a Contagem, percurso que gastou cinco minutos. Para tentar aproveitar ainda mais o tempo, Aécio e Pimentel retornaram à Pampulha no helicóptero do presidente. Bem ou mal, pelo menos mais cinco minutos de prosa.

A estratégia parece ter surtido efeito. No final da solenidade em Contagem, Lula convidou Márcio Lacerda, que estava na platéia, para subir ao palanque, onde estavam também Aécio e Pimentel, e disse ao pré-candidato socialista que a decisão será revertida no Diretório Nacional. O gesto foi interpretado pelos defensores da dobradinha como uma sinalização pública de apoio à aliança. O secretário não quis revelar o teor da conversa de poucos minutos que teve com o presidente. Disse apenas que Lula foi muito simpático. Ao ser questionado se o presidente teria se manifestado a favor da aliança com o PSDB, Lacerda afirmou apenas que o presidente mantém a posição. Lacerda foi secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, uma espécie de “vice-ministro”, durante o primeiro mandato do governo Lula. Publicamente, Lula não se posicionou em defesa ou contra a aliança, mas chegou a dizer que vê com simpatia a parceria entre Aécio e Pimentel e que as alianças devem ser definidas nos planos locais.

SOLIDÁRIO

O prefeito Fernando Pimentel confirmou que o presidente Lula tem atuado nos bastidores para tentar viabilizar a aliança com os tucanos na capital. “Ele é inteiramente solidário com o movimento que estamos fazendo aqui, com essa construção de aliança ampla que fazemos em Belo Horizonte. Já falou isso em entrevista, já falou publicamente. E certamente, além da fala pública, algumas ações ele deve estar fazendo. Agora, por favor, não me perguntem que tipo de ação, porque aí seria ferir a confiança com a qual ele me privilegia”, afirmou o petista, em entrevista no fim da tarde de ontem.

De acordo com o prefeito de Belo Horizonte, as atenções estarão voltadas para a reunião do Diretório na sexta-feira, quando os 81 integrantes do grupo baterão o martelo sobre as eleições da capital de Minas Gerais. “Eu digo sempre, a cada dia a sua agonia. Vamos esperar o dia para a gente resolver. Estamos trabalhando com expectativa de vitória no dia 30”, disse o prefeito, ao negar que o partido já esteja analisando um “plano B”, caso a dobradinha seja vetada pelos petistas.

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