Lobão Filho assume hoje a vaga do pai
por Léo Quintino
Do Estado de Minas:
Mesmo bombardeado por denúncias, o empresário Edison Lobão Filho (DEM-MA) inicia nesta semana sua vida parlamentar. Filho e suplente do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ele desembarca hoje em Brasília para assumir a vaga no Senado. Ele trará duas cartas. Em uma, remetida à Mesa Diretora da Casa, se defende das acusações de usar um laranja para não pagar impostos. Na outra, dirigida ao presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), pede desfiliação do partido.
Com o Congresso em recesso, Lobão Filho vai tomar posse no gabinete da presidência do Senado. A assessoria do futuro senador informou que ele só não assume hoje se houver atrasos no vôo. A cerimônia é simples e rápida. Lobão Filho prestará o juramento de “guardar a Constituição Federal e as leis do país, desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador e sustentar a União, a integridade e a independência do Brasil”.
Na carta que será entregue à Mesa Diretora, vai repetir os argumentos que já expôs em nota pública, quando as denúncias contra ele começaram a surgir. Ele é acusado de ter transferido em 1998 cotas na sociedade da distribuidora de bebidas Bemar para a empregada doméstica Maria Lúcia Martins, a fim de fugir do Fisco. A empresa teria sonegado R$ 42 milhões nos últimos oito anos. O empresário argumenta que transferiu as cotas a pedido do ex-sócio Marco Antônio Costa, que teria assumido futuras conseqüências ficais e cíveis.
O documento não vai livrar o suplente, porém, de enfrentar, no mínimo, constrangimentos no Senado. A direção do PSOl reúne-se até quarta-feira para decidir se apresenta uma denúncia ao Conselho de Ética contra o futuro senador. “Vamos analisar o parecer da assessoria jurídica para não dar margem ao uso da jurisprudência espúria do Conselho de Ética”, avisa o líder do PSOl na Câmara, Chico Alencar (RJ).
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ALVO FIXO
Mesmo que o PSOl não encontre argumento jurídico consistente, Lobão Filho ainda tem chance de ser questionado no plenário do Senado no retorno do trabalho do Congresso. Integrantes do PSOL ameaçam manter a carga sobre o filho do ministro de Minas e Energia: “Ele não vai ter vida fácil porque já entra em situação delicada. Espero que os parlamentares o questionem”, defende Alencar.
Lobão Filho também pretende se encontrar com o presidente do DEM, a quem deseja entregar a carta de desfiliação. O futuro senador já avisou que vai ficar por algum tempo sem partido, pois ainda negocia a filiação a outra legenda. Tem a opção de ir para o PTB, que ofereceu a ele o teto partidário.

28-01-08 08:10:24,