Lacerda pode ter dificuldades para ter maioria na Câmara de BH
por Léo Quintino
Do Uai:
O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), pode não ter vida fácil na Câmara Municipal mesmo depois de a coligação que apoiou sua candidatura ter vencido 28 das 41 cadeiras no Poder Legislativo. Pelo menos dois pontos melindram parlamentares eleitos e reeleitos. A distribuição de cargos na prefeitura, que não contempla partidos de menor porte, e a indicação do ex-superintendente de Desenvolvimento Empresarial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Josué Costa Valadão, para a Secretaria de Governo.
A expectativa era de que o posto, responsável pelas articulações com a Câmara, fosse ocupado por alguém com perfil político. Valadão foi diretor de empresas de Lacerda no setor de telecomunicações e nunca trabalhou no setor público.
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O futuro prefeito anunciou ainda o ex-deputado federal Mário Assad como secretário de Relações Institucionais, cargo já ocupado pelo ex-parlamentar. As atribuições da pasta incluem negociações com a Câmara para aprovação de projetos mas, conforme aliados de Lacerda, ninguém que assumirá cargos na prefeitura em janeiro buscou, até o momento, iniciar a montagem de uma base no Legislativo. “O prefeito eleito participa de muitas reuniões com o grupo dos vereadores eleitos e reeleitos, mas sempre ouve muito e não fala nada”, argumenta um dos aliados.
Os 41 vencedores das eleições para a Câmara se dividem hoje em quatro grupos. Um formado por integrantes do PT, PSB, PPS, PSDB, PV e PTB; outro constituído por novatos na Casa, a maioria filiada a siglas pequena; um terceiro montado por reeleitos considerados independentes, e o da oposição, que tem como integrantes o PHS e o PMDB, partidos que apoiaram Leonardo Quintão na disputa pela prefeitura.
Apesar de identificados, o número de parlamentares de cada grupo não pode ser especificado, já que filiados a partidos que fizeram parte da coligação, por ser novatos, orbitam em mais de um grupo, embaralhando ainda mais as prováveis futuras cartas de Lacerda.
Se quiser ter bom trânsito na Câmara, o prefeito eleito precisa formar base fiel de 28 parlamentares – exatamente o número dos integrantes de partidos da coligação que venceram as eleições de outubro para a prefeitura. Para projetos simples, o total de votos necessários para aprovação é de 21. Já para textos que envolvem questões tributárias, o número sobe para 25. Proposições para alterações urbanas são as mais complicadas. Precisam de 28 votos do plenário.
“Lacerda não pode deixar que se repita o que ocorreu com Pimentel. A cada votação de projeto de interesse da prefeitura, a Câmara virava um balcão de negócios!”, contam interlocutores. O ideal, na avaliação de aliados de Lacerda, é que o prefeito eleito consiga acertar imediatamente com os parlamentares do PT, PSDB, PPS, PV e PTB, e em seguida começar a atrair mais aliados. O prefeito eleito de Belo Horizonte não quis falar ao Estado de Minas sobre o relacionamento que tem, ou que pretende estabelecer, com atuais e futuros parlamentares.

22-12-08 10:34:59,