Lacerda veta reajuste de salários, mas libera cargos na Câmara

por Léo Quintino Email

De Amália Goulart, no Hoje em Dia:

Prefeito sanciona projeto de lei que cria postos comissionados com supersalários na estrutura da Câmara Municipal

O prefeito Marcio Lacerda (PSB) sancionou, na última quarta-feira (25), o projeto de lei que cria 12 cargos comissionados com supersalários na estrutura da Câmara Municipal de Belo Horizonte. A decisão custará aos cofres públicos R$ 1,1 milhão ao ano. Conforme adiantou o Hoje em Dia, na edição do último sábado, o socialista tinha até esta sexta-feira para decidir sobre a polêmica. Ela tomou corpo na esteira do projeto de lei vetado, que reajustava os salários dos parlamentares em 61,8%.

Nos bastidores do Legislativo, a criação das vagas foi uma compensação pela perda no caso dos vencimentos. Os 12 cargos serão destinados a pessoas a serem nomeadas por indicação política dos próprios vereadores. A Mesa Diretora irá definir quem será agraciado. Os salários podem chegar a R$ 9 mil, mesmo que o de um parlamentar. “Nem o presidente definiu bem para quê servem estes cargos. São comissionados, de livre escolha do presidente e gasto enorme para a Câmara. É só para colocar pessoas próximas a ele”, afirmou o vereador Arnaldo Godoy (PT).

O presidente da Casa, Léo Burguês, não foi encontrado, pois está em viagem aos Estados Unidos. Antes, curtiu as férias no litoral carioca, onde foi fotografado ao lado do ex-vereador Gêra Ornelas (sem partido), famoso por se filmar de cueca em seu gabinete parlamentar.

O presidente interino, Alexandre Gomes (PSB), rebateu as acusações. Segundo ele, os candidatos às vagas passarão por um processo seletivo. “Os currículos serão encaminhados e analisados. As indicações serão técnicas”, defendeu.

O custo das novas contratações será de R$ 1.162.578,33 por ano, conforme previsões divulgadas no fim do ano passado, quando a proposta foi aprovada.

Os postos criados são destinados à “mobilização social”. Será criada uma Diretoria de Relações Institucionais. O setor ficará responsável por administrar os eventos internos e externos, realizar audiências públicas e coordenar ainda outros dois projetos que serão montados neste ano: o Censo, que vai avaliar as necessidades de cada regional da cidade, e o Câmara itinerante. “A Câmara começa uma nova etapa que são as audiências externas. Elas vão demandar uma série de atividades”, afirmou Gomes.

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