Fim da aliança com tiroteio entre Aécio e Pimentel
por Léo Quintino
No Estado de Minas, de Leonardo Augusto:
Tucanos reagem furiosos à declaração feita por Pimentel, de que Aécio não conseguirá ser candidato à presidência em 2010, e que a vaga ficará com o governador paulista, José Serra

Aécio e Pimentel uniram PSDB e PT nas eleições. Agora, ex-prefeito vira alvo de duras críticas dos tucanos
Era para ser uma separação amigável, mas vai para o litígio. Depois de caminharem de mãos dadas para eleger o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), o ex-prefeito da capital Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) estão praticamente de caneta em punho para assinar o divórcio político. O motivo foi a declaração dada por Pimentel no fim de semana de que Aécio não será o candidato dos tucanos à Presidência da República em 2010, e que o governador de São Paulo, José Serra, disputará o cargo pelo partido no ano que vem.
O posicionamento de Pimentel jogou folhas para o alto no ninho tucano. O secretário-geral nacional do partido, deputado federal Rodrigo de Castro, disse que o ex-prefeito demonstrou completo desconhecimento do que ocorre no PSDB. “Essa não é a realidade do partido. Há a garantia de que Aécio pode ser posicionar como pré-candidato dentro da legenda e que, até o momento, não há nenhuma definição em relação a quem disputará o cargo pelo partido em 2010”, declarou. O parlamentar acrescentou que, “para uma pessoa que quer ter voo mais alto no estado, Pimentel está na contramão inclusive do sentimento dos mineiros, que, segundo pesquisas, querem ver Aécio na presidência”, disse Rodrigo de Castro.
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O parlamentar afirma que a tendência é a realização de prévias para definição do candidato e que a escolha interna só não ocorrerá se houver um acordo entre os dois pré-candidatos. “No cenário atual, o que existe é que ambos estão muito animados com a possibilidade de concorrer”, afirmou.
Em meio às reações tucanas, um correligionário do governador com cargo no alto escalão do partido disse que Pimentel, ao se referir dessa forma a Aécio, quis mostrar serviço. “O ex-prefeito quer espaço no governo federal. Tudo bem, mas não precisa ganhar ponto lá detonando aqui”, analisou. Pimentel é cotado para assumir posto em Brasília. Uma das possibilidades é a secretaria-executiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CNDES).
BOIS
Para o primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, Rafael Guerra (PSDB-MG), Pimentel “passou o carro na frente dos bois” ao opinar sobre o destino político do governador. O parlamentar disse ainda que as declarações do petista sinalizam ser de alguém que “precisa se aproximar do PT para ter um cargo no governo federal". O tucano afirmou também que Pimentel “não decide espaço no PSDB. Quem decide é o PSDB. O prestígio e a popularidade de Aécio Neves dentro do partido são grandes. Vamos ter prévias e o governador é o favorito no meu modo de entender".
Na avaliação de Guerra, os comentários de Pimentel “não eram esperados", principalmente pelo histórico de bom relacionamento entre os dois, que culminou na aliança entre PT e PSDB na eleição de Márcio Lacerda (PSB) para a Prefeitura de Belo Horizonte. O vice-presidente do PSDB em Minas, deputado federal Paulo Abi-Ackel, afirma ser cedo para qualquer posicionamento no partido sobre quem será o candidato da legenda em 2010. “Seria a mesma coisa se a gente começasse a falar sobre quem será o candidato do PT ao governo de Minas no ano que vem. Ninguém é capaz de dizer se será Pimentel ou Patrus (Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)”.
O ex-prefeito Fernando Pimentel não retornou ligação da reportagem para comentar a repercussão das declarações entre os tucanos. Aliados do petista amenizaram as palavras do ex-chefe do Poder Executivo da capital. “Não teve nada contra o Aécio. Talvez o prefeito tenha feito uma avaliação mais em ‘off’”. Os correligionários do ex-prefeito afirmaram ainda que o grupo tem interesse em ter uma relação mais próxima com Aécio. Ao mesmo tempo, deixaram claro que isso não deve ocorrer nas eleições para o Palácio da Liberdade no ano que vem, quando os dois partidos terão candidatos distintos, segundo o aliado do ex-prefeito. Colaborou Isabella Souto.
DESABAFO
Além do rompimento com Aécio Neves, Fernando Pimentel pode ter deteriorado também o relacionamento com o próprio partido. Segundo o ex-prefeito, os ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci – ambos mineiros – foram levados de roldão por um “setorzinho xiita” do PT em Minas Gerais. Pimentel se referia ao grupo do partido contrário à união entre Pimentel e Aécio em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura. Segundo aliados do ex-prefeito, a declaração foi “em tom de desabafo”, já que, ainda conforme integrantes do grupo petista ligado a Pimentel, o ex-chefe do Poder Executivo de Belo Horizonte estaria sob ataque dos “xiitas” há sete meses, portanto, desde o início da campanha eleitoral de outubro.

10-02-09 14:45:58,