Febre amarela preocupa Grande BH

por Léo Quintino Email

Do Estado de Minas:

Minas Gerais registra, este ano, o segundo caso de febre amarela. O artesão José Martins Souza, de 44 anos, contraiu a doença em Goiás, mas se recuperou e passa bem de saúde. Ele é morador de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e ficou internado por cinco dias no pronto-socorro de sua cidade, com febre, vômitos e dor de cabeça. O resultado positivo para o mal que já causou 13 mortes no país foi apresentado, no último sábado, pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). A Secretaria de Estado de Saúde foi comunicada sobre a possibilidade de mais um caso no último dia 18 e desde então intensificou as medidas para evitar outras transmissões. O último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde confirma 25 casos da doença, em todo país, e três em investigação.

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No último dia 20, foi notificado o primeiro óbito, em Minas, pela doença. O lavrador Leandro Gonçalves Cruz, de 24 anos, morreu no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Ele contraiu a doença quando trabalhava em uma fazenda em Caldas Novas, no interior de Goiás, e chegou a sua cidade em Araguari, a 569 quilômetros da capita, já em estado grave.

O artesão José Martins Souza, de Vespasiano, foi infectado quando esteve em matas do município de Marzagão, no interior de Goiás. Ele desenvolveu a forma branda da doença e não teve grandes complicações. José Martins não sabe quando recebeu a última dose da vacina contra a febre amarela. “Fomos para a cidade da família da minha mulher e participamos de muitas pescarias no Rio Corumbá. Viajamos no início do mês e logo que voltei, comecei a sentir os sintomas. Minha mulher disse que foi vacinada em 1999 e que, na época, eu também havia sido imunizado, mas não lembro”, conta o artesão.

Metade das pessoas que contraem a febre, não apresentam sintomas e ficam imunes a doença. O restante, 40% desenvolvem as formas mais leves e os 10% restantes apresentam quadros graves. A mortalidade é de 50% entre aqueles que desenvolvem a forma mais grave. Junto com filhos e cunhados, José Martins viajou para Marzagão, no dia 3 de janeiro e retornou no dia 12.

Ele começou a apresentar os primeiros sintomas no dia 14 quando procurou o PA de Vespasiano. Foi diagnosticado com quadro de virose e voltou para casa, mas retornou à unidade no dia 18 e precisou insistir para ser atendido. José Martins estava com muita dor de cabeça, febre e vômitos. “O pronto-socorro estava cheio e me falaram que só iam atender urgências, mas quando disse que estava com febre amarela eles me internaram. Fiquei no soro cinco dias. Perdi o apetite e ainda me sinto muito fraco”, afirma o artesão.

Durante a internação foram colhidos exames de sangue e urina e encaminhados para a Funed. A SES foi acionada, no dia 18, e as ações de bloqueio contra o Aedes aegypti foram administradas pelos gestores do município. As ações de combate ao mosquito são importantes para evitar a transmissão de casos de febre urbana. O primeiro exame apresentou resultado indeterminado e mesmo depois da alta médica, novas amostras foram colhidas.

No último sábado, o teste, feito na Funed, foi positivo para febre amarela. “Tivemos mais um caso de febre amarela, de mineiros que contraíram a doença em áreas rurais de Goiás e já administramos todas as medidas de prevenção. Temos uma boa cobertura vacinal na região metropolitana e fizemos as ações de bloqueio do vetor com aplicação de UBV nas proximidades da casa do paciente, além de intensificar a eliminação de focos do Aedes aegypti “, afirma o coordenador de Vigilância Ambiental, Francisco Lemos.

Desde 1942, não há casos de febre amarela urbana no Brasil e segundo Lemos é preciso de um índice de infestação do mosquito transmissor de 40% em todos os imóveis da cidade para que a doença possa ser reintroduzida em ambiente urbano. Em Vespasiano, o índice de infestação do Aedes aegypit é de 1,2%.

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