Executiva do PT mantém veto

por Léo Quintino Email

Do Estado de Minas:

Aliança do partido com PSDB para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte é proibida outra vez, mas decisão definitiva será tomada pelo Diretório Nacional, que se reúne sexta-feira

A Executiva Nacional do PT reafirmou o veto à inclusão do PSDB na chapa Márcio Lacerda (PSB)-Roberto Carvalho (PT)para a Prefeitura de Belo Horizonte. Não adiantou o corpo-a-corpo feito pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, que passou dois dias em Brasília na semana passada tentando convencer parte dos membros da corrente a que pertence, a Construindo um Novo Brasil (CNB), a votar a favor da aliança que foi construída por ele e o governador Aécio Neves.

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O placar de ontem foi exatamente o mesmo da reunião da Executiva Nacional de 24 de abril, que havia barrado os tucanos: 13 a 2. A decisão final caberá ao Diretório Nacional que vai se reunir na sexta-feira, mas a tendência é repetir o veto, já que a CNB controla 42% do diretório e fechou posição ontem contrária à aliança.

Pimentel disse ontem que já esperava o resultado da Executiva e aproveitou para atacar a direção do partido. “Os companheiros deveriam dedicar energia a outros assuntos, como em São Paulo, onde a nossa candidata Marta Suplicy está isolada, não consegue se aliar a ninguém, enquanto os adversários Gilberto Kassad (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB) estão incorporando grandes partidos. Em Belo Horizonte, estamos fazendo uma aliança ampla e generosa”, rebateu.

O prefeito ainda espera reverter o veto na reunião do Diretório e não quer antecipar o que fará se houver intervenção da direção nacional, no caso de o Diretório Municipal insistir na coligação com os tucanos. “A cada dia, a sua agonia. A de hoje é o resultado da Executiva. Até a reunião do Diretório, vamos trabalhar para convencer os membros a rever o veto”, afirmou.

Os dois votos favoráveis à aliança ontem vieram novamente do secretário nacional de Assuntos Institucionais, Romênio Pereira (da tendência Movimento PT) do terceiro vice-presidente, Jorge Coelho, ligado ao deputado federal Jilmar Tatto (SP), do grupo da ministra do Turismo, Marta Suplicy.

O deputado federal Miguel Corrêa Jr, que defendeu junto à Executiva a participação do PSDB, estima que o grupo de Pimentel tenha 20% dos votos, todos do Movimento PT, e tenha perdido aliados na corrente Mensagem, graças à tomada de posição do ministro da Justiça, Tarso Genro, a favor dos ministros do Desenvolvimento e Combate à Fome, Patrus Ananias e da secretaria-geral da Presidência, Luiz Dulci. Mesmo assim, ainda aposta no convencimento de parte da corrente CNB.

Apesar da derrota na Executiva, o grupo de Pimentel conseguiu evitar a aprovação de nota pública contra o processo encaminhado pelo prefeito, que foi chamado de equivocado por alguns membros da direção nacional. Em compensação, a resolução da Executiva veta a participação também do PPS na chapa, o que já havia sido aprovado pelo PT e pelo PSB em Minas. Segundo membro da Executiva ligado ao presidente Ricardo Berzoini, a direção está mandando recado ao PSB: ou escolhe ficar com PSDB e PPS ou se alia ao PT.

O deputado estadual André Quintão, ligado ao ministro Patrus, acredita que a decisão da Executiva possa reabrir o diálogo com líderes petistas excluídos e com outros partidos da base aliada do governo Lula.

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