Ex-reitora da UFMG pode ser candidata à PBH

por Léo Quintino Email

Do portal Uai:

Com a resistência à indicação de Márcio Lacerda, petistas e tucanos procuram agora um candidato para unir os dois partidos na disputa

A aliança entre o PT e o PSDB em Belo Horizonte não é mais o problema. A discussão agora é em torno de quem será o candidato que vai unir as duas legendas na capital mineira. A possibilidade de o escolhido ser o secretário estadual de Desenvolvimento Social e Econômico, Márcio Lacerda (PSB), é um complicador para o acordo, pois seu nome não agrada aos críticos do processo de como a escolha da chapa foi feita. Eles alegam que não admitem uma chapa “prato feito”. A expectativa é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois da reunião de terça-feira com o vice-presidente José Alencar (PRB) e com os ministros mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Hélio Costa (Comunicações) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) para tratar do assunto, pressione os defensores da indicação de Lacerda para que seu nome seja trocado. A cotada para unir o PT e os partidos aliados seria a também socialista Ana Lúcia Gazzola, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com bom trânsito entre todos os setores do PT mineiro.

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No encontro de terça-feira, Lula deu uma brecada nas negociações em torno da dobradinha PT/PSDB e exigiu que seja montada uma chapa de consenso, que inclua os partidos da base governista, que reclamam de terem sido alijados das discussões sobre a sucessão em Belo Horizonte. No Planalto, a avaliação é de que o nome de Lacerda foi inviabilizado devido ao atropelo na sua escolha, mas que a tese de uma aliança indireta com o PSDB tem chances de vingar. Para o Palácio da Liberdade, o melhor desfecho para o caso é uma intervenção do presidente a favor da indicação de Ana Lúcia. O nome da ex-reitora sempre teve o apoio do governador Aécio Neves (PSDB), principal articulador da aliança entre tucanos e petistas. Sua indicação chegou a ser discutida antes mesmo de o nome de Lacerda vir à tona, mas ela foi vetada pelo prefeito Fernando Pimentel, que insiste na indicação do secretário de Aécio e do deputado estadual Roberto Carvalho para o cargo de vice-prefeito.

A possibilidade de Patrus deixar o ministério para disputar a prefeitura e unir o partido em torno de seu nome está praticamente descartada. Na terça-feira, o ministro mais uma vez foi categórico em afirmar que não pretende disputar as eleições deste ano, apesar da pressão do Diretório Nacional do PT para que ele saia candidato. Um assessor próximo de Lula disse que o presidente quer na capital mineira um nome “que deixe todo mundo feliz”, principalmente o vice-presidente, o ministro, o prefeito e até o governador. A avaliação é que insistir com o nome de Lacerda será o mesmo que passar um rolo compressor em cima dos aliados, o que pode causar reflexos na disputa em 2010.

O problema é que o prefeito de Belo Horizonte continua inflexível na indicação de Lacerda. Na quarta-feira, um dia após a entrada do presidente Lula no circuito, Pimentel, durante visita à Câmara Municipal para apresentar um relatório sobre as atividades da prefeitura ano passado, disse que essa é uma decisão interna do PT, que não compete a outros partidos. “O que vai se processar agora é uma decisão interna do meu partido. Não é uma decisão que envolva o ministro Hélio Costa, que é do PMDB, nem o vice-presidente José Alencar, com todo respeito que tenho pelos dois”, afirmou Pimentel.

FHC em cima do muro

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) preferiu ficar em cima do muro ao afirmar na quarta-feira que não é pai do governador Aécio Neves para opinar sobre seu namoro com o PT em Belo Horizonte para uma possível aliança na disputa pela prefeitura da cidade. “Dizem que ele é namorador. Eu gosto do Aécio, confio nele, está fazendo o que é melhor para Belo Horizonte. Mas eu não sou o pai dele (para aprovar o namoro com o PT). FHC disse ainda que o governador sempre teve lealdade com o PSDB e a democracia. Na segunda-feira, Aécio disse que a aliança entre PSDB e PT em Belo Horizonte é um projeto ainda em construção e, por isso, está aberta à participação de outros partidos. “Claro que vamos respeitar as posições de todos os outros partidos e quero reiterar que esse é um projeto ainda em construção e, por isso mesmo, com a possibilidade de atração de outros parceiros, de outras correntes políticas, repito, a favor do que quer a população de Belo Horizonte", afirmou o governador.

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