Ex-diretor da Abin nomeado para Portugal
por Léo Quintino
No Hoje em Dia:
Afastado da função desde setembro, desde o vazamento de dados da Operação Satiagraha, o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda foi exonerado ontem, em definitivo, pelo presidente Lula. Lacerda vai trabalhar como adido policial da embaixada brasileira em Portugal.
A nomeação de Lacerda para o novo cargo, sem relevância política, foi uma saída “honrosa”, na avaliação de pessoas próximas do presidente Lula. Lacerda foi diretor-geral da Polícia Federal de janeiro de 2003 a setembro de 2007. Depois, chefiou a Abin. Ele sempre foi uma pessoa próxima de Lula.
O atual diretor-geral da Abin, Wilson Roberto Trezza, continua como interino no cargo. Os decretos com a exoneração e nomeação devem sair na próxima edição do Diário Oficial da União.
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Em nota, de dois parágrafos, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) informou a saída de Lacerda, sua nomeação para a embaixada e a substituição interina por Trezza. Lacerda foi afastado do cargo em 1º de setembro, depois de estar no foco das suspeitas sobre grampos telefônicos para monitorar conversas de autoridades, entre elas o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador goiano Demóstenes Torres (DEM).
Em novembro, o GSI autorizou a prorrogação por mais 60 dias do período de afastamento de Lacerda do comando da Abin. Desde que foi afastado, Lacerda passou a assessorar o ministro Jorge Félix. Com isso, transitava livremente pelo Palácio do Planalto e demais dependências da Presidência da República.
A exoneração da direção geral da Abin foi articulada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) e concluída por seu interino Luiz Paulo Barreto. Lacerda tem 60 dias para assumir a nova função em Portugal.
Além das funções de adido policial em Portugal foram criados também os mesmos postos na França e nos Estados Unidos. Mas os nomes para essas duas funções ainda não foram definidos. Atualmente, o Brasil tem postos de adido policial no Paraguai, Argentina, Colômbia, Uruguai, Suriname e na Bolívia.
De Sanctis questiona eficácia da Justiça
O juiz federal Fausto de Sanctis, conhecido pela condenação do banqueiro Daniel Dantas em primeira instância, fez diversas criticas à eficácia do Poder Judiciário. Durante entrevista, domingo à noite, a um programa de TV, ele sugeriu até que a população passe a cobrar essa eficácia. O juiz aproveitou ainda para criticar as mudanças ocorridas este ano com o objetivo de dar maior rapidez aos processos.
“As mudanças não deram nenhuma celeridade ao processo penal. Pelo contrário, criaram muitos obstáculos”, reclamou o juiz. A criação da exigência de uma defesa preliminar obrigatória antes do recebimento de uma denúncia seria um desses obstáculos.
“Se antes o processo já era moroso, tornou-se ainda mais moroso”. Ele defendeu a própria decisão de decretar duas vezes a prisão preventiva de Daniel Dantas, posteriormente revogada pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. “Da minha parte não houve nenhuma decisão política”, alfinetou. “Fatos novos vieram. E não se trata de meros papeluchos documentais, como foi falado.”

30-12-08 09:33:39,