Esquenta a briga por cargos na prefeitura

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Leonardo Augusto:

Prefeito de Belo Horizonte começa a negociar com a Câmara, na semana que vem, ocupação das vagas nas nove regionais. Tradicionalmente, são os vereadores que fazem as indicações


O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB) (foto), ainda não conseguiu encerrar uma frente de batalha e já se defronta com outra. Antes mesmo de fechar as negociações com os partidos para ocupação dos cargos de segundo escalão no município, Lacerda terá, a partir da próxima semana, de discutir também com vereadores o preenchimento desses postos na prefeitura. O início da legislatura na Câmara de Belo Horizonte está marcado para segunda-feira.

A principal briga dos parlamentares acontecerá na distribuição de cargos nas noves regionais. É tradição vereadores fazerem indicações para esses postos. Na maioria das vezes, apresentam cabos eleitorais para as nomeações. O preenchimento dos cargos entra no bojo das negociações para aprovação de projetos de lei de interesse da prefeitura na Câmara.

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A avaliação dos vereadores é direta. Perder espaço nas regionais equivale a redução de poder político em áreas em que são votados. Exatamente para tentar negociar a acomodação de partidos e vereadores, e evitar ao máximo desgastes para o governo, Lacerda anunciou que até o fim de fevereiro não serão feitas indicações ou demissões.

O cenário não é nada satisfatório para o prefeito. A arena para o embate entre partidos e indicações pessoais dos vereadores tende a ser diminuída. Lacerda segue com estudos para modificações na estrutura da prefeitura, mas já é praticamente certo que, por exemplo, o número de secretários-adjuntos nas regionais será reduzido de dois para um. A mudança será incluída em projeto de lei que será enviado pelo prefeito à Câmara em março para alteração no organograma da prefeitura.

Interlocutores de Lacerda garantem que os vereadores aparecerão com fome de banquete para o debate sobre a ocupação dos postos do segundo escalão. O motivo é que não participaram das negociações para preenchimento de cargos do topo da estrutura administrativa municipal, como os de secretários e presidentes de empresas públicas.

OSSO

Entre os partidos, o PT é o que mais vem dando trabalho a Lacerda nas negociações por cargos, dizem fontes ligadas ao prefeito. Depois de 16 anos no comando de Belo Horizonte, é grande a pressão da legenda para manutenção de postos. Por ter sido hegemônico no período, a legenda foi a que mais perdeu espaço para outros partidos que, assim como o PT, apoiaram a candidatura de Márcio Lacerda.

Especificamente na regionais, já é certo que o partido terá menos força na Pampulha e na Norte, anteriormente comandadas pelo PT e por aliado pessoal de Pimentel, respectivamente. No governo de Lacerda, a Pampulha foi transferida para o PSDB. Já a Norte foi para as mãos de um aliado do ex-vice-governador Clésio Andrade.

Já em relação a cargos de segundo escalão nas chamadas secretarias “temáticas” (Educação, Saúde e Fazenda, por exemplo), o PT cresce o olho na disputa pela Adjunta de Abastecimento, ligada à pasta de Políticas Sociais. A área é responsável pela distribuição de recursos que chegam à cidade pelo programa Fome Zero, do governo federal.

Um dos principais adversários do PT, e também das indicações pessoais dos vereadores, na ocupação de cargos na prefeitura como o da Secretaria-Adjunta de Abastecimento é exatamente o PSB do prefeito Lacerda. Integrantes da cúpula da legenda avaliam que o partido ainda não foi devidamente contemplado na distribuição dos cargos da prefeitura. Tem, até o momento, a Secretaria de Assuntos Institucionais, e a Regional Leste que, conforme filiados à legenda, não entraria na cota da legenda. A indicação para o cargo teria sido de Lacerda, apesar de o indicado, Píer Senesi, ser filiado ao PSB, integrantes do partido afirmam se tratar de uma indicação pessoal de Lacerda.

“Aliança pressupõe contribuir para vitória nas eleições e, em seguida, compartilhar poder, ajudar a governar”, analisa fonte do PSB. Além do partido e do PT, também participaram da campanha de Lacerda PTB, PP, PR, PV, PMN, PSC, PSL, PTN, PTC, PRP, além de PSDB e PPS, ambos informalmente.

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