Eleição causará debandada de vereadores na Câmara de BH

por Léo Quintino Email

No Tempo, de Flávia Martins y Miguel:

A vontade de assegurar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas ou na Câmara dos Deputados contaminou as ambições de pelo menos mais da metade dos vereadores de Belo Horizonte. Na Câmara Municipal, 24 dos 41 parlamentares da capital pretendem sair como candidato a deputado federal e estadual nessas eleições.

Do total de 58,5% de concorrentes às vagas, seis preferem desempenhar a função no Legislativo em Brasília. É o caso do vereador suplente Reinaldo Lima (PV), que pretende sair candidato à deputado federal este ano. De acordo com sua assessoria, Lima tem a maior parte dos votos concentrada na capital mineira, como é o caso da maioria dos vereadores. Porém, para ampliar suas chances, o vereador vai enviar cabos eleitorais para o interior e fazer viagens nos finais de semana.

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O vereador e pré-candidato a deputado estadual Ronaldo Gontijo (PPS) afirma que em dois de seu cinco mandatos na Câmara não cogitou se candidatar a outro cargo. No entanto, acha que os estreantes na função que querem concorrer podem ser criticados pelos eleitores. “Acho que todo candidato de primeiro mandato pode ser mal interpretado, como já cumpri vários mandatos não vejo problema. Mas só existe a possibilidade de se tornar deputado no meio de outro mandato", disse.

Para o cientista político e professor da PUC Minas Malco Camargos, a estratégia da maioria dos vereadores, de disputar eleições, tem como principal objetivo manter o vínculo com o eleitorado a um custo baixo, já que esses políticos não precisam se desincompatibilizar para concorrer a qualquer cargo eletivo.

“Qual o custo disso para a sociedade? É que a cada dois anos, o Legislativo vai entrando em inoperância. Eles (vereadores) vão parar como se tivessem capacidade para se eleger sabendo que não vão ser eleitos. Mas marcam o território, ajudam o partido e fortalecem o mandato. Isso tudo acontece em detrimento da relação da população com o Legislativo. É uma estratégia individualista e partidária", explicou o especialista.

A reforma política é uma das formas que, segundo Camargos, podem acabar com o prejuízo das paralisações nas atividades a cada dois anos. “Não custa o cargo de ninguém. Acho que seria necessário na reforma política colocar sanções para quem paralisa as atividades políticas. Não acontece nada hoje em dia. Continuam usando a máquina. Buscar novos rumos, usar cargo como trampolim é legítimo, a questão é fazer isso sem retorno para a sociedade", afirmou.

strong>Desnecessária

Desincompatibilização. Os vereadores não precisam deixar a função para concorrer a qualquer cargo nas eleições. Duas resoluções do TSE (22724/08 e 19537/96) tornam a permanência legal durante a campanha.

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