Dilma apóia aliança em BH
por Léo Quintino
Do Estado de Minas:
Ministra da Casa Civil afirma não ver obstáculo para parceria entre PT e PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Governador avalia que apoio favorece o entendimento
A aliança PT-PSDB para a Prefeitura de Belo Horizonte ganhou uma aliada de peso no Planalto: a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. Ao lado do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, a ministra disse ontem que é a favor da inclusão do PSDB na coligação que apoiará a chapa Márcio Lacerda (PSB)-Roberto Carvalho(PT), além de fazer elogios ao governador Aécio Neves (PSDB). “A aliança é local, não vejo nenhum maior obstáculo a ela em Belo Horizonte”, disse. O governador devolveu os elogios referindo-se à ministra como “um instrumento extremamente importante para o desenvolvimento do Brasil”. Ele ainda destacou que o apoio da ministra pode ser fundamental para a aliança. “Ainda acredito que o consenso vá prevalecer para que possamos estar juntos nesse grande projeto a favor de Belo Horizonte. No que couber à ministra estaremos ainda mais próximos desse entendimento”, afirmou, ressaltando que a chapa está mantida.
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Sobre a posição da Executiva Nacional do PT que vetou a participação do PSDB na aliança e ameaça intervir no diretório municipal, Dilma, que participou da abertura do 25º Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte, considerou que o processo faz parte da democracia partidária. “Não é uma questão de fundo. Os diferentes militantes podem ter suas diversas opiniões. A Executiva Nacional tem uma posição diferente da minha”, afirmou, argumentando que a direção não pode proibir alianças com partidos da base aliada, referindo-se ao PSB. Dilma evitou, contudo, comentar se a participação dos tucanos deveria ser formalizada.
“A característica maior dessa aliança é que ela representa uma aproximação entre PSB e PT. Se o PSDB apoiar, estará apoiando e é um dado da realidade”, esquivou-se. Indagada se o governador Aécio Neves seria bem-vindo, a ministra derramou-se em elogios. “Não tenho nada contra o governador Aécio. Eu o respeito bastante, o considero um político dos mais comprometidos com o país, apesar de ele não ser do meu partido e eu não pensar como o governador. A gente não precisa ser do mesmo partido e pensar tudo igual, para achar que ele tem seus méritos e faz um bom governo”, afirmou.
A ministra garantiu que não está desrespeitando a posição da Executiva Nacional do seu partido. “Qualquer análise que fale em sectarismo é preconceituosa em relação à direção nacional, que tem todo o direito de fazer avaliação do que acha mais adequado”, defendeu.
ENCONTROS
Já o prefeito Fernando Pimentel ainda acredita que a cúpula petista possa rever o veto aos tucanos. “O clima é franco, de debate aberto. Nesse tempo, vi muitas manifestações, quase todas favoráveis à aliança. Espero que elas produzam algum efeito nos companheiros da Executiva Nacional. A minha esperança é que deste debate saia uma decisão madura”, afirmou. O prefeito vai hoje a Brasília encontrar-se com o presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), e com outros membros da Executiva.
O pré-candidato a prefeito e secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB), considerou natural o apoio da ministra da Casa Civil. “Como mineira de Belo Horizonte, a ministra entende a população da capital e a maneira mineira de fazer política. A sensibilidade dela está em sintonia com a nossa”, analisou. Lacerda aposta também no entendimento entre as direções nacionais do PSB e do PT, depois que a Executiva Nacional do PSB aprovou a inclusão do PSDB na aliança.
A direção nacional deu prazo até 10 de maio para que o diretório municipal formalize o pedido de inclusão do PSDB na coligação, mas o diretório vai desconsiderar a data, alegando que a aliança é com o PSB e cabe a este partido procurar os tucanos. O diretório estadual tem até o dia 16 para se pronunciar sobre a coligação e a Executiva Nacional até 26, para uma nova decisão. O caso será julgado em reunião do diretório nacional marcada para 30 de maio. Na Executiva Nacional, a disposição é de manter o veto que foi aprovado por 13 votos a dois.

06-05-08 12:14:07,