Dilma e Serra escondem aliados pouco populares

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Izabelle Torres:

Dilma e Serra cumprem a espinhosa tarefa de esconder nos programas eleitorais os políticos impopulares sem rejeitá-los. Nesse jogo, até os vices nas chapas têm passado em branco

As alianças em torno de um candidato à Presidência da República nem sempre vêm recheadas de votos e apoio capazes de alavancar os números que traduzem a preferência do eleitorado. Pelo contrário. Nos pacotes partidários montados pelos grupos de sustentação das candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), estão políticos envolvidos em escândalos e com biografias que não agradam em nada parte dos brasileiros. Por isso, os comandos das campanhas decidiram que no segundo turno o tratamento dado a esses aliados deve permanecer como antes: sem citações nos comícios, sem aparições nos programas eleitorais. O desafio diário dos dois candidatos vai continuar sendo o de esconder essas parcerias dos eleitores sem, no entanto, rejeitá-las.

No debate de domingo, a candidata petista seguiu à risca as orientações quando ignorou o comentário do tucano sobre a presença de José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (PTB) entre os aliados. Além dos ex-presidentes, na base de Dilma também estão políticos bons de urnas e mal vistos pelos olhos da Justiça, como o paraense Jader Barbalho (PMDB), que recebeu quase 1 milhão de votos para o Senado, mas não sabe se vai assumir o cargo por conta das pendências judiciais. Isso sem contar que um dos maiores negociadores da campanha é o ex-ministro José Dirceu, acusado de ser o cabeça do esquema do mensalão.

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Apesar de ter partido de Serra o comentário sobre a qualidade dos aliados, o tucano também tem nas costas o peso de apoiadores polêmicos que a campanha tenta ocultar. Estão nessa lista gente como o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), o deputado Paulo Maluf (PP) e o senador Efraim Moraes (DEM). De acordo com tucanos que integram a linha de frente da campanha de Serra, rejeitar nomes de políticos que ofereceram apoio teria um efeito mais negativo do que tê-los na chapa. A solução encontrada foi aceitá-los por perto sem explorar suas imagens.

A aliança de Serra no Distrito Federal também representa uma tentativa de ocultar o nome de quem caminha junto, ao menos oficialmente. O PSC de Weslian Roriz apoia o candidato tucano. No entanto, Serra nunca procurou o marido dela, o ex-governador Joaquim Roriz, para negociar a aliança no primeiro turno. Os escândalos envolvendo Roriz e os altos índices de rejeição alcançados por ele acenderam o alerta na campanha serrista, que optou por ignorar a parceria.

Ruins de voto

As campanhas de Serra e Dilma também demonstraram outra semelhança ao longo do primeiro turno: ambas ignoraram a biografia e a imagem de seus vices durante os programas eleitorais. No comando petista, a ideia é de que o deputado Michel Temer (PMDB-SP) não é lá um sucesso nas urnas e não agrega votos. Daí, terem optado pelo uso do tempo do horário eleitoral apenas para Dilma e o cabo eleitoral Luiz Inácio Lula da Silva.

A estratégia de esconde-esconde em torno do vice ruim de voto vai mudar pouco nos próximos programas. É que o comando do PMDB se queixou da ausência de seu representante no horário nobre. Para apaziguar os ânimos com a legenda aliada, a campanha de Dilma vai abrir uma brecha para mostrar quem é o seu vice nos próximos dias.

A tendência de não explorar a imagem de Temer era tão evidente que o próprio deputado teve de arrumar uma estratégia para aparecer na campanha. Nos comícios pelo país, sempre chegava cedo e ia discursando enquanto a candidata e o presidente Lula não apareciam.

O tratamento dado pela campanha de Dilma ao vice da sua chapa é um retrato da distância que o PT tentou – e discretamente ainda tenta – manter dos peemedebistas. Prova de que as promessas de mudanças de tratamento não devem atingir grandes dimensões foi a discreta divulgação da entrada do ex-governador Moreira Franco na coordenação da campanha. Sem alardes, o anúncio de que o cacique do PMDB teria um espaço maior foi feito principalmente para os próprios peemedebistas. Clima de anúncio oposto ao que foi instaurado para declarar a entrada do deputado Ciro Gomes (PSB), conhecido algoz do PMDB, no comando da campanha.

O vice de Serra parece também despertar pouco orgulho. Sem participação nos programas eleitorais, o comando da campanha ainda estuda quanto tempo vai dedicar para que o deputado Índio da Costa (DEM) fale aos eleitores. Uma aparição que causa dúvidas sobre os efeitos benéficos para os índices de crescimento do tucano nas intenções de votos. Caciques do PSDB acreditam que é melhor continuar escondendo Índio. Dizem que a imagem de político inexperiente e desconhecido pode atrapalhar os argumentos dos aliados de Serra sobre sua capacidade técnica e ampla experiência política. Na dúvida, vão deixando como está.

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