Crise entre aliados de Lacerda

por Léo Quintino Email

Deu no Estado de Minas:

Indicação de Luzia Ferreira para a presidência da Câmara desagradou a vereadores das legendas que compõem base do prefeito eleito. PT, maior partido na Casa, não abre mão do cargo

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), vai precisar de muita habilidade política para resolver o imbróglio gerado na Câmara Municipal a 10 dias da eleição da nova Mesa Diretora. O racha na base de sustentação do socialista atingiu seu ápice com a indicação da vereadora Luzia Ferreira (PPS) como candidata do Executivo à presidência e levou a bancada do PT a anunciar que lançará um nome na briga pela cadeira do vereador Totó Teixeira (PR). O mal-estar entre parlamentares aliados de Lacerda é geral e o recado é claro: o Legislativo não aceitará uma candidatura imposta pelo próximo prefeito.

...

O descontentamento com o surgimento do nome de Luzia Ferreira como candidata de Lacerda atingiu tanto o grupo da aliança, que o elegeu, como o dos demais veteranos, que tem uma postura mais independente em relação a Lacerda. Segundo os parlamentares, o nome de Luzia Ferreira teria surgido de uma articulação entre o presidente estadual do PPS, Juarez Amorim, e o Palácio da Liberdade. O problema é que, segundo fontes ligadas às negociações, a decisão foi tomada e comunicada de forma atabalhoada, enquanto a ordem na Casa era para esperar o encerramento das votações de plenário para discutir a presidência.

“Não queremos um nome do Executivo, queremos um da Câmara. Tem de ser um nome da base que seja afinado com ele”, afirmou Anselmo José Domingos (PTC), que integra o grupo de 14 vereadores independentes em relação a Pimentel que irão para a base de Lacerda. Além de Anselmo, essa ala da Câmara tem como pré-candidatos Wellington Magalhães (PMN), Pastor Carlos Henrique (PR) e Alberto Rodrigues (PV). “Se ele entrar e peitar o nome da Luzia, vamos bater chapa e será um grande desgaste”, afirmou outro aliado. Na avaliação de Preto (DEM), que também estará na base de Lacerda, o novo prefeito terá de “pisar em ovos”. O recado de outros vereadores da base que preferiram não se identificar foi o mesmo: “Para os vereadores, a Câmara não é uma gerência do Executivo.”

O descontentamento com o surgimento do nome de Luzia Ferreira como candidata de Lacerda atingiu tanto o grupo da aliança, que o elegeu, como o dos demais veteranos, que tem uma postura mais independente

No PT, que se sentiu desprestigiado com a indicação de um nome do PPS, a insatisfação levou a uma reunião ontem dos seis novos vereadores, que decidiram lançar um nome na sucessão. A escolha está prevista para hoje e será entre os veteranos Neusinha Santos, Arnaldo Godoy, Paulo Lamac e Silvinho Resende. Este último já presidiu a Casa na gestão anterior à de Totó Teixeira e é visto como um nome conciliador. Para Neusinha e Godoy, a bancada tem o direito de reivindicar a presidência por ser a maior da próxima Legislatura e nunca ter ocupado o cargo. Além disso, o argumento é de que o partido não tem mais o cargo de prefeito.

UNIÃO

Os parlamentares do PT integram um grupo de 11 vereadores que inclui Luzia Ferreira e Alexandre Gomes, colocado como nome do PSB para a sucessão. Os dois grupos, agora com 10 pré-candidatos à presidência, ensaiaram uma união ontem e voltam a se reunir antes da votação da Mesa, marcada para 1º de janeiro, depois da posse. Eles pretendem atrair uma terceira ala, a dos novatos que tomarão posse no próximo ano. Eles vêm discutindo a eleição da mesa de forma paralela e é cogitada a possibilidade de apresentarem nomes como o de Léo Burgues (PSDB) e Cabo Júlio (PMDB). A única diretriz comum, por enquanto, é não aceitar nomes impostos pelo Executivo e a disposição é entrar em um acordo para formar uma chapa de consenso.

Luzia Ferreira disse ser uma das candidatas, mas espera ter legitimidade entre seus pares para se manter na disputa. “Quero ser a candidata do Legislativo, que é um poder autônomo. Preciso dessa legitimidade e vamos conversar e tentar construir isso. Muito me honra se tiver o apoio do prefeito eleito.” Márcio Lacerda preferiu não comentar o assunto, limitando-se a dizer que “as conversas estão ocorrendo”. O articulador de Márcio Lacerda na Casa, vereador Tarcísio Caixeta (PT), considerou natural a decisão do seu partido de lançar um nome e disse que a divisão não atrapalhará o processo. “Temos muito tempo para conversar e compor uma chapa única para a casa.”

PRÉ-CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DE CÂMARA

Wellington Magalhães (PMN)

Anselmo José Domingos (PTC)

Alberto Rodrigues (PV)

Pastor Carlos Henrique (PR)

Neusinha Santos (PT)

Paulo Lamac (PT)

Arnaldo Godoy (PT)

Silvinho Resende (PT)

Alexandre Gomes (PSB)

Luzia Ferreira (PPS)

Sem feedback para esse post ainda

Deixe seu comentário


Seu endereço de e-mail não será revelado nesse site.
(Quebras de linha se tornam <br />)
(For my next comment on this site)
(Allow users to contact me through a message form -- Your email will not be revealed!)