Corregedor da Câmara renuncia

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Ricardo Brito:

Deputado Edmar Moreira (DEM-MG) não resistiu a pressões políticas e entregou, ontem à noite, ao presidente Michel Temer o pedido para deixar a 2ª Vice-Presidência da Casa

Edmar Moreira conversou com deputados no fim de semana e aceitou sugestão para deixar o cargo de 2ª vice-presidente e corregedor

Não durou uma semana o mandato do deputado federal Edmar Moreira (DEM-MG) como segundo vice-presidente e corregedor da Câmara. Soterrado pelas denúncias sobre a origem dos recursos com que construiu um suntuoso castelo em São João Nepomuceno, na Zona da Mata, Moreira comunicou ontem à noite ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), sua renúncia ao cargo da Mesa Diretora. Até o fechamento da edição, o parlamentar não havia enviado o fax que oficializava sua decisão.

Moreira aceitou sugestão feita por Temer, com quem conversou ao telefone no fim de semana. Temer havia lhe recomendado que sua saída do cargo seria melhor para que a pressão política sobre a Câmara esfriasse. A medida também pouparia os integrantes da Mesa do constrangimento de votar, amanhã, o projeto para desvincular a Corregedoria da Segunda Vice-Presidência. O projeto deve ser arquivado, e deve ocorrer nova eleição para o cargo.

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O parlamentar mineiro foi para o olho do furacão político na semana passada ao declarar, em seu primeiro pronunciamento público depois de eleito, que a Corregedoria deveria remeter as apurações contra parlamentares para a Justiça. Atualmente, as investigações conduzidas pelo corregedor são remetidas para abertura de processo de perda de mandato no Conselho de Ética. Na prática, pela proposta de Moreira, a Câmara prescindiria da sua prerrogativa de cassar os deputados por quebra de decoro.

Essa intenção recebeu apoio dos líderes do governo e do PT na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) e Cândido Vacarezza (SP). Mas bombardeada por lideranças partidárias, especialmente o seu partido, o DEM.

A situação do corregedor, porém, ficou insustentável depois que Moreira não conseguiu explicar a origem do patrimônio com o qual comprou um castelo avaliado por baixo em R$ 25 milhões em São João do Nepomuceno. O parlamentar omitiu o imóvel das declarações de bens entregue à Justiça Eleitoral, no que ele disse ter transferido a propriedade para seus filhos.

Conforme o Estado de Minas revelou na sexta-feira, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) cobra na Justiça das empresas de segurança de Moreira R$ 45 milhões em dívidas previdenciárias não pagas. Ele também responde a inquérito perante o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter se apropriado da contribuição de INSS de funcionários. A suspeita é de que de ele tenha feito fortuna sem arcar com suas obrigações como empresário junto à União. “Foi um apelo da família. Ele é maior do que tudo isso. Mas está decidido. Depois de todas as mentiras que colocaram, não há nenhuma justificativa a fazer”, afirmou o deputado estadual Leonardo Moreira (DEM), filho de Edmar.

Assim como Temer, outros colegas de Moreira na Mesa Diretora, como Inocêncio Oliveira (PR-PE) e Nelson Marquezelli (PTB-SP), lhe fizeram a mesma sugestão durante o fim de semana. Respaldado numa prerrogativa prevista no regimento da Câmara, o Democratas estudava até mesmo pedir a cassação do mandato de Moreira diretamente ao Conselho de Ética. “Foi aquilo que o partido esperava desde o primeiro momento”, afirmou o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO). “Ele não teria credibilidade para julgar quem quer que fosse, seja para condenar, seja para absolver”, completou.

Com a renúncia, o DEM deve recuar do pedido de cassação de Moreira. Entretanto, o partido abrirá amanhã um processo de expulsão contra o deputado mineiro, que deu sinais de que deve se desfiliar da legenda antes.

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