Propostas no Facebook e Twitter para limpar nome são caras e ilegais

por Léo Quintino Email

De Frederico Bottrel e Pedro Rocha Franco, no Estado de Minas:

Os cartazes colados em muros e postes com o célebre convite “Limpe seu nome sem pagar a dívida” chegaram ao século 21, com presença maciça nas redes sociais da internet. O golpe disfarçado em milagre agora lança anzóis via Facebook e Twitter, a partir de perfis falsos que chegam ao requinte de imitar as identidades visuais dessas instituições protetoras do crédito. A rede também é repleta de arapucas em forma de sites que oferecem “garantias” no procedimento. “Saia do SPC e Serasa sem pagar suas contas… Envie um e-mail para nosso endereço, tire suas dúvidas e tenha uma nova vida”, promete uma das mensagens que circula no perfil @SerasaOnLine no Twitter. A página tem mais de 400 seguidores, o que, na terminologia do Twitter, significa pessoas interessadas em acompanhar o perfil.

O primeiro indício do golpe não demora a aparecer. O tal endereço que o tuíte menciona é um Gmail – provedores gratuitos não condizem com a estrutura profissional das instituições que trabalham com a proteção ao crédito. O Estado de Minas entrou em contato com o perfil, por meio do endereço sugerido, simulando interesse nos serviços. A resposta padrão veio 32 minutos depois, assinada por “Bruno Fernandes”, garantindo “seu crédito de volta em 48 horas”. O procedimento é detalhado: “Baixamos os registros de inadimplências do sistema Serasa, SPC Brasil, CCF e protesto. O seu CPF fica sem restrições e apto ao crédito em qualquer banco ou empresa. Garantimos tranquilidade futura porque utilizamos procedimento seguro. Habilitamos direto no sistema sem utilização de papel.”

No meio do texto, o golpista lança a isca: “Enviamos o novo extrato do seu CPF com o ‘nada consta’, comprovando a habilitação de crédito. Nós (sic) envie o número do CPF a ser limpo, para que possamos consultar os seus débitos e lhe fazer uma proposta”. O golpista também frisa que não é preciso recuperar cheques, duplicatas e muito menos pagar as contas: “Nada de juros abusivos e taxas absurdas”. E, por fim, vai ao que interessa: o preço da brincadeira. A recuperação do crédito de pessoa física custa R$ 199 e de pessoa jurídica sai por R$ 350. A primeira modalidade tem desconto de R$ 50 para pagamentos em até dois dias. Sites que vendem “dicas” para limpara o nome cobram, em média R$ 20, segundo a própria Serasa.

Por fim, a descrição do serviço alerta que “os valores podem variar para mais e para menos, dependendo do valor da dívida” e joga duro com os inadimplentes: “O pagamento é antecipado. Dispensamos clientes que desejam fiado”. Em tréplica, a reportagem pediu que fosse encaminhado um número de telefone para contato, ao que o golpista respondeu: “Olá. Por motivo de segurança, todo contato é feito por e-mail”.

Artilharia

“Não existe milagre para resolver as dívidas se não for pagando”, esclarece Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian. A proliferação de golpes fez com que a equipe da instituição reforçasse a artilharia nas cartilhas de alerta (veja quadro). “Esses criminosos que garantem limpar o nome agem de diversas maneiras, mas a mais comum é entrar na Justiça para discutir a dívida da pessoa. Cabe ao juiz determinar que os órgãos de proteção ao crédito retirem aquela anotação até julgar a dívida. Depois da análise dos documentos, ele pode decidir pela manutenção do nome”, diz o economista.

Mas se a dívida for indevida e o nome foi parar na lista por equívoco da empresa, a questão pode ser resolvida fora da Justiça, segundo Marcelo Barbosa, do Procon Assembleia. “Mas se a dívida existe, não tem escapatória; só pagando que o nome é limpo”, conclui.

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Filadélphia pode pagar multa de R$ 2,5 mi

A Filadélphia Empréstimos Consignados Ltda. pode ter de pagar multa milionária por descumprir alerta emitido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em julho de 2009. Naquele mês, o órgão do governo federal abriu processo para investigar a atuação da empresa na formação de uma pirâmide financeira, sendo que em caso de descumprimento da exigência poderia punir a firma com multa diária de R$ 5 mil. Mas a diretoria não respeitou a determinação e seguiu oferecendo empréstimos com juros superiores aos pagos no mercado financeiro, principalmente para militares da Aeronáutica, até que a Polícia Federal deflagrou a Operação Gizé sob acusação de continuidade na atuação irregular.

A manutenção da oferta do produto chamado de mútuo, que garantia lucro de 2,5% a 5% ao mês para os investidores, persistiu por mais de 500 dias depois do alerta da CVM ter sido publicado. Com isso, se multiplicado o período pelo valor previsto na penalidade, a multa pode atingir R$ 2,5 milhões. Cópias de contratos registrados no ano passado, inclusive, foram publicados em edição do Estado de Minas de setembro, quatro meses antes do início da operação da PF, quando o esquema voltou à tona. De lá para cá, segundo ex-funcionários da empresa, muitas pessoas decidiram resgatar a verba aplicada e teve início a derrocada da empresa, que não teria continuado a arcar com as promessas de rendimentos.

Mas o valor da multa é ínfimo ante o montante que pode ter sido o prejuízo causado aos investidores. Inicialmente, a investigação apontou para um rombo de R$ 10 milhões, mas, passadas duas semanas e ouvida parte dos integrantes da diretoria da empresa, a PF revisou o total: o rombo causado pode atingir até 10 vezes esse valor.

A Operação Gizé teve início em 31 de janeiro. Ao todo, sete envolvidos foram detidos pela Polícia Federal. Na semana passada, a Justiça converteu a prisão provisória dos diretores da empresa em preventiva. Com isso, eles ficam detidos até a data do julgamento. Na semana passada, dois veículos que não tinham sido apreendidos foram entregues espontaneamente na sede da PF. Os carros estavam em posse de empregados e pastores da Igreja Pentecostal do Evangelho Pleno – usada para atrair investidores. Caso seja confirmado que os carros foram escondidos por essas pessoas, elas podem ser indiciadas por favorecimento real e formação de quadrilha.

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