Preço dos combustíveis deve subir para o consumidor

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas:

Os consumidores podem preparar o bolso para as próximas altas no preço do álcool. As usinas produtoras de etanol começaram a dar sinais de que vão reajustar os preços do biocombustível, sob a alegação da chegada da entressafra na colheita da cana-de-açúcar. Com as mudanças, não só o álcool, mas também a gasolina ficará mais cara. Com medo do impacto na inflação nos próximos meses, já que os combustíveis têm peso enorme nas taxas, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu nessa sexta-feira a possibilidade de se reduzir a quantidade de álcool adicionada à gasolina, de 25% para 18%.

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“Até, no máximo, outubro, a decisão será divulgada", disse Lobão. A ideia é aumentar a oferta de etanol no mercado e diminuir a pressão sobre os preços. Não sem motivo. Síntese publicada nessa sexta-feira pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que, nesta semana, o preço da gasolina apurado em 8,6 mil postos do país variou de R$ 2,309 a R$ 3,450 e manteve-se na média de R$ 2,759. O valor médio mais alto foi verificado na Região Norte (R$ 2,864), seguida da Centro-Oeste (R$ 2,834), da Nordeste (R$ 2,756), da Sul (R$ 2,752) e da Sudeste (R$ 2,706). Em todo o Brasil, o etanol custou entre R$ 1,440 e R$ 2,930 e ficou na média de R$ 1,999. A aposta é de que, nas próximas semanas, o preço médio da gasolina ultrapasse os R$ 3.

Segundo o Índice de Preços Ticket Car (IPTC) referente a junho, atualmente, devido aos altos custos, só compensa abastecer com etanol em nove estados brasileiros (AL, AM, AP, CE, MA, RS, SE, SP e TO). Nesses locais, a variação de preço entre o biocombustível e a gasolina supera a marca de 30% – diferença do rendimento médio de um motor a etanol em relação ao que utiliza o derivado do petróleo.

As altas são atribuídas em boa medida ao descompasso entre produção e procura pelos derivados da cana-do-açúcar. Nesta semana, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) revisou a estimativa para a safra 2011/2012 no Centro-Sul, que responde por cerca de 90% da produção do país. A nova projeção aponta para uma moagem de 533,50 milhões de toneladas, redução de 6,16% em relação ao total estimado em março de 2011 e de 4,21% sobre o valor final da safra 2010/2011. A produção de etanol, por sua vez, deverá atingir 22,54 bilhões de litros, 11,19% a menos que na safra anterior.

O representante da Unica em Ribeirão Preto, Sérgio Prado, explicou que o resultado deve-se, principalmente, a questões climáticas, como o longo período de estiagem observado entre abril e agosto de 2010. “A quebra da safra é circustancial. Mas também precisamos de investimentos para ampliar o estrutura de processamento da cana", ressaltou.

Novas medidas

O governo prometeu jogar pesado contra o aumento nos preços do etanol e anunciou nessa sexta-feira que novas regras para garantir o abastecimento do biocombustível deverão começar a valer no prazo de 15 dias. As medidas exigirão contratos de longo prazo com distribuidores do combustível, de dois anos, e a armazenagem obrigatória pelas usinas de 8% da produção no fim de cada safra no Centro-Sul.

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