Preço elevado faz casa própria deixar de ser prioridade para a população de BH

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Geórgea Choucair:

O desejo de ter a casa própria saiu da lista de prioridades de consumo dos belo-horizontinos. A máquina de lavar, o televisor, os móveis e o material de construção passaram na frente do tão sonhado imóvel na pretensão de compra do consumidor, revela a Pesquisa da Fundação Ipead e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio).

Em junho, a moradia apareceu em sétimo lugar entre os itens mais almejados, mas vem perdendo espaço quando o assunto é desejo de compra. Há dois anos, a casa própria ocupava o terceiro lugar na lista de sonhos de consumo e em junho de 2010 passou para a quinta posição. “A alta de preços dos imóveis pode ter levado o consumidor a priorizar outros itens de compra. E é difícil prever até quando vai esse boom imobiliário”, afirma Wanderley Ramalho, coordenador de pesquisas e desenvolvimento do Ipead.

Até abril, o preço dos apartamentos novos acumulou alta de 12,62% na capital, segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). A pesquisa do sindicato mostra que os interessados em comprar imóvel de até R$ 250 mil estão com dificuldades, pois as ofertas e vendas estão em baixa. De janeiro a abril, foram vendidas 517 unidades nesse valor, a metade da quantidade comercializada no mesmo período de 2010.

Comprar móveis e um carro. Essas são as prioridades de consumo da vendedora de consórcio Camila Mello. A casa própria, por enquanto, está fora da lista. “Para comprar a casa própria eu teria que dar pelo menos 30% de entrada no valor. Eu não tenho esse dinheiro hoje”, diz. Já a funcionária pública Cybelle Chaves vai priorizar a compra de uma televisão nova e de eletrônicos. “Já tenho casa própria e dois televisores, mas quero um novo. Ainda não tenho o modelo de LCD”, diz. Cybelle.

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Confiança

A pesquisa do Ipead apontou ainda que o consumidor está mais confiante na economia. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da capital alcançou 52,11 pontos. É acima do nível que separa o pessimismo do otimismo, estipulado em 50 pontos, segundo a pesquisa. “Houve uma melhora na percepção da situação econômica do país e do índice de emprego”, explica Ramalho. O índice de confiança na taxa de emprego cresceu 5,49% em junho, na comparação com maio. Já a confiança com relação à inflação caiu 1,75% no período.

A inflação foi o item que teve a pior pontuação na barreira de otimismo e pessimismo em junho: 33,19. “A inflação é a bola da vez. Há uma preocupação geral com a alta de preços. Isso não significa, no entanto, que o índice está fora de controle”, observa Ramalho. A energia elétrica liderou as contas em atraso do consumidor em junho, seguida do cartão de crédito, água, prestações, contas de telefone fixo e cartão de lojas. “Os débitos com cartão de crédito causam uma certa preocupação, pois as taxas de juros estão muito elevadas”, diz Ramalho.

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