Pesquisa mostra que carros de BH transportam apenas 39% da população
por Léo Quintino
No Estado de Minas:
Estudo sobre a mobilidade urbana em Belo Horizonte revela dados alarmantes: os carros que circulam na capital representam 78% da frota do município, mas transportam apenas 39% das pessoas que saem de casa diariamente. Já os ônibus, que respondem somente por 3% da frota, levam e trazem 54% da população. “Qualquer premissa atual de planejamento de transporte urbano passa pela priorização democrática do sistema viário, o que implica incentivar o transporte coletivo e, muitas vezes, em detrimento do transporte individual motorizado”, explica o engenheiro Frederico Rodrigues, diretor executivo da Im Traff Consultoria e Projetos de Engenharia e autor da pesquisa.
Outro levantamento feito por ele revela que 66% dos automóveis que trafegam na cidade carregam somente o motorista. O dado ajuda a entender o porquê da relevante diferença entre a quantidade de pessoas transportadas por ônibus e carros. Planilha da BHTrans, referente a 2009, mostra que a frota de ônibus da capital é de 2.854 coletivos, distribuídos em 298 linhas. A média de passageiros transportados por dia pelos coletivos foi de 1.362.001 pessoas.
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O número é inferior à média de 2008: 1.406.988. A queda, de 3,2%, pode ser um indício de que parte dos usuários migrou para o transporte particular, principalmente carro e moto, confirmando que o veículo privado é status perseguido pela maioria dos brasileiros. Frederico avalia, porém, que a maior conscientização da população e melhorias no transporte público retirariam das ruas e avenidas centenas de automóveis, melhorando o fluxo de veículos na capital. Ele faz uma conta conservadora para mostrar a importância de os moradores depositarem suas fichas no transporte público, mas pondera que o sucesso dos coletivos também depende de maior investimento do município.
“Um indivíduo em pé, num ônibus, ocupa 0,2 metro quadrado dos cerca de 20 metros quadrados que formam a área do ônibus. Numa matemática conservadora, um automóvel ocupa sete metros quadrados, ou seja, o motorista que dirige o carro sem a companhia de alguém ocupa, sozinho, uma área 35 vezes maior do que se ele estivesse no ônibus. Um ônibus com 55 passageiros pode, por exemplo, retirar de circulação 37 automóveis, cuja média de pessoas no seu interior é de 1,5”, conclui Frederico.
Lotação
Ele faz outra conta para ressaltar a importância de o tema ser amplamente discutido entre sociedade e poder público: “A frota completa de carros da capital ocuparia, na hipótese de todos os motoristas saírem de casa no mesmo horário, cerca de 9 milhões de metros quadrados. Na hipótese de todos os condutores irem trabalhar de ônibus, ocupariam uma área bem inferior, de 300 mil metros quadrados”.
Frederico ressalta outro exemplo hipotético, mas importante para mostrar a evolução da frota: “A área de 10 importantes avenidas da capital – Cristiano Machado, Antônio Carlos, Carlos Luz, Pedro I, Pedro II, Amazonas, Via Expressa, Raja Gabaglia, Nossa Senhora do Carmo e Andradas – soma cerca de 1,5 milhão de metros quadrados. Na hipótese de todos os veículos de BH usarem os corredores em direção ao Centro, precisaríamos ter um aumento da capacidade viária em 500%. Contudo, se todos os donos de carros fossem trabalhar de ônibus, usaríamos, nas mesmas vias, 300 mil metros quadrados, bem abaixo da área de 1,5 milhão.”
De qualquer forma, ele próprio ressalta que algumas linhas de ônibus operam com demanda maior do que a capacidade, principalmente no horário de pico. Não é difícil flagrar coletivos parecendo latas de sardinha.


10-02-11 22:24:03,