Crescimento da frota infesta o ar em BH de fumaça
por Léo Quintino
No Estado de Minas, de Paulo Henrique Lobato:
O aumento alarmante da frota em Belo Horizonte – o número de veículos subiu de 655 mil, em 2000, para quase 1,3 milhão em 2010 – despeja no ar um problema difícil de resolver: a emissão de gases tóxicos jorrados dos canos de descarga. Centenas de estudos alertam que os diferentes poluentes cuspidos pelos escapamentos são a principal causa da degradação da qualidade do ar nos grandes centros urbanos. A situação é mais grave com os 43 mil veículos a diesel emplacados na cidade. A situação que mais incomoda o poder público é a dos caminhões, pois, além de circular por mais tempo do que os carros, boa parte não recebe manutenção adequada. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente reprova, em média, 6% dos veículos a diesel fiscalizados na Operação Oxigênio, que mede os poluentes expelidos pelos escapamentos.
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A Operação Oxigênio, feita diariamente por quatro equipes, fiscaliza cerca de 800 motores por mês. “Os veículos movidos a diesel circulam ininterruptamente, carregam muito peso, fazem um esforço bem maior, sofrem grande desgaste. Outra questão é a idade da frota, que tem, em média, mais de 20 anos de uso”, observa a gerente de Fiscalização e Controle da Poluição Veicular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Bernadete Carvalho.
Os gases liberados pelos motores alimentados com outros tipos de combustível também preocupam a especialista: “O impacto numa cidade como a nossa, com vocação mais para a prestação de serviço, vem muito dos veículos. Tanto a gasolina quanto a diesel”. A situação é mais alarmante do que a maioria da população imagina, pois, além de prejudicar a saúde dos moradores, os gases também afetam o clima, danificam materiais resistentes, como o aço, e podem até exterminar plantações.
“Gases venenosos podem restringir o crescimento de vegetais e, eventualmente, exterminá-los. Florestas e plantações têm sido danificadas. O ar poluído atinge materiais resistentes e fortes. Em algumas cidades, estátuas tiveram que ser removidas. Os poluentes do ar podem ainda afetar o clima. Os gases e os particulados podem causar variações nas temperaturas médias. Eles espalham raios solares e reduzem a quantidade de luz do sol que atinge o solo, podendo levar à diminuição da temperatura média”, alerta a gerente de Qualidade do Ar da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Elisete Gomides Dutra.
Ela é autora da tese de doutorado Metodologia teórico-experimental para determinação dos parâmetros básicos para elaboração de inventários de emissão de veículos leves do ciclo Otto, defendida no curso de engenharia mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e considerada um dos mais completos estudos sobre os poluentes veiculares na capital. A especialista alerta que os poluentes despejados numa cidade podem migrar para outros municípios distantes centenas de quilômetros.
Inspeção
Mas os governos estadual e municipal avaliam que um projeto aprovado no fim de novembro vai fechar o cerco aos veículos que despejam poluentes acima do permitido. Trata-se do plano de controle da poluição do ar por veículos automotores, que prevê, entre várias medidas, a inspeção da frota a partir de 2012.
Os veículos a diesel serão os primeiros a se submeterem ao processo. Posteriormente, a fiscalização será estendida para o restante da frota. O plano foi recomendado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente a todos estados. Além de Belo Horizonte, a inspeção também será feita em Contagem e em Betim.


10-02-11 22:19:18,