Transporte público desagrada 70% da população brasileira

por Léo Quintino Email

Rapidez e pontualidade são fatores importantes para os usuários (Moises Silva/EM/D.A Press. Brasil)
Rapidez e pontualidade são fatores importantes para os usuários (Moises Silva/EM/D.A Press. Brasil)

No Uai, de Ana Elisa Santana:

O transporte público é o meio de transporte mais usado pelos brasileiros dentro das cidades. Segundo a Pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), divulgada nessa segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 43,4% da população usa ônibus, metrô ou outros meios coletivos para se locomover. No entanto, uma histórica falta de estrutura no sistema faz com que parte da população opte por andar em seus próprios veículos. Segundo o estudo, cerca de 70% da população considera os ônibus, metrôs e trens urbanos regulares, ruins ou muito ruins.

“Esse estudo serve para chamar a atenção para a inadequação desse modelo de transporte”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, referindo-se à priorização do transporte individual em detrimento do transporte coletivo. “Há espaço para o avanço das políticas públicas.” Na Região Sul estão os mais satisfeitos com o transporte público: 44,9% o consideram bom ou muito bom e 23,5% o acham ruim ou muito ruim. Já na Região Sudeste se encontram as opiniões mais negativas: apenas 24,5% o veem como bom ou muito bom e 45,9% o consideram ruim ou muito ruim – este número é muito próximo ao da Região Norte: 45,8%.

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Para o diretor-superintendente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Marcos Bicalho dos Santos, falta no país uma política de mobilidade urbana que dê prioridade ao transporte público. Segundo Bicalho, uma série de medidas tomadas no Brasil ao longo dos últimos anos incentivou o uso dos automóveis. “Nós tivemos subsídio ao preço da gasolina, depois ao preço dos veículos, das motocicletas, que causou essa explosão na frota, sem que o sistema viário das cidades tivesse condições de suportar esse aumento.”

O crescimento da frota de veículos particulares afeta qualidade do serviço de transporte público, principalmente de ônibus, segundo Bicalho. Ele defende que a maior quantidade de carros nas ruas, sem a preparação viária adequada, acaba causando mais congestionamentos e reduz a produtividade das empresas. “Uma viagem que se fazia 10 minutos passa a durar em duas horas. Para manter o mesmo intervalo exige-se um aumento da frota, de motoristas, cobradores. Com isso, os custos sobem mais do que em qualquer processo inflacionário normal”, argumenta Bicalho.

Rapidez, variedade de horários e pontualidade são fatores importantes para a escolha dos usuários. A Região Sudeste, segundo os dados do Ipea, é a única do país em que mais da metade dos entrevistados (50,7%) usa transporte público como principal meio para se deslocar. E os números mostram que a escolha dos usuários pode estar relacionada à qualidade do serviço prestado, uma vez que a região é, também, a que tem a maior porcentagem de pontualidade apontada pelos passageiros: 51,5% deles afirmam que o transporte está sempre no horário.

Medo A insegurança é um dos motivos também observados por quem prefere usar carro como meio de transporte na cidade. Dados do Ipea apontam que 41,9% dos brasileiros já foram assaltados ou conhecem alguém que tenha sido ao se deslocar pela cidade onde mora.

Segundo a pesquisa, 66,6% da população brasileira convive com congestionamentos pelo menos uma vez por mês. Deste total, 20,5% enfrentam lentidão mais de uma vez por dia. Esse dado encontra respaldo quando se analisa o aumento da frota de veículos. De 2000 a 2010, a frota de veículos cresceu 90,9% a mais que a população.

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