Chávez denuncia conspiração

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas:

Em meio a um cenário em que os adversários políticos estão quase em empate na intenção de voto, os venezuelanos vão às urnas no domingo para decidir a aprovação ou não de uma emenda constitucional que contempla a possibilidade da reeleição presidencial ilimitada, eixo central do projeto político do presidente Hugo Chávez. Ontem, ele denunciou uma suposta conspiração contra o governo, na qual estariam implicados um militar reformado, militares na ativa e opositores de estados onde governa a oposição.

Chávez disse que “alguns militares na ativa” estão detidos por “sua infiltração em alguns quartéis localizados em estados como Nueva Esparta, Táchira e Zulia” e afirmou que o governo tem a situação sob controle. O mandatário não deu o nome dos supostos conspiradores.

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Nesta nova contenda eleitoral, estará em jogo não apenas o projeto socialista de Chávez, mas também a liderança do presidente, que resistiu aos resultados das eleições regionais de 2008 e ao referendo constitucional de 2007. Milhares de chavistas tomaram as ruas de Caracas ontem e pediram à população que vote pelo “sim” no domingo. A proposta de reeleição ilimitada foi defendida por Chávez, pela primeira vez, no projeto de reforma da Constituição, rechaçado no referendo de dezembro de 2007. Embora ele tenha proclamado que dará um “nocaute fulminante” nos seus adversários, as últimas pesquisas, publicadas no começo da semana, mostravam um importante bloco de “não alinhados", que são 30% do eleitorado venezuelano.

Os analistas acreditam que o referendo do domingo terá um resultado estreito e muito apertado. “Chávez tem uma vantagem infinita na capacidade de mobilização da máquina do Estado, dinheiro, pressão e instituições", disse o diretor da empresa de pesquisas privadas Datanálises, Luis Vicente León. Mas nos últimos dois anos os partidos da oposição conseguiram um progressivo fortalecimento, especialmente a partir das eleições regionais de 23 de novembro de 2008, quando a direita conquistou o governo dos quatro maiores estados da Venezuela e quatro das cinco maiores prefeituras do país.

A aliança que a oposição conseguiu firmar com o movimento dos estudantes universitários, que tem alta popularidade, lhe deu um impulso vital na recuperação. Os estudantes marcaram para hoje, na capital, uma grande manifestação de rechaço à reeleição presidencial ilimitada. “Quem é mais forte? Isso nós vamos ver em 15 de fevereiro", afirmou o analista.

O editor do diário Tal Cual, Teodoro Petkoff, da oposição, diz que não vê mudanças drásticas na Venezuela, seja qual for o resultado do referendo. Segundo ele, a cena política no país deverá ser atropelada nos próximos meses pela crise financeira mundial. “Se ganhar o ‘não’, o que acontecerá é que Chávez não poderá ser candidato em 2012, mas continuará a governar em um ambiente mais adverso. Certamente, o governo terá a mesma característica que teve até agora", afirmou. No caso de Chávez vencer o referendo, “teremos ele como candidato em 2012 e continuará a governar como tem feito". Chávez foi eleito presidente da Venezuela pela primeira vez em dezembro de 1998. Após a Constituinte de 2000, ele foi ratificado no cargo até 2006, quando se reelegeu para uma mandato adicional que acabará em fevereiro de 2013.

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