Caso Jean Charles termina em pizza

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Rodrigo Craveiro:

Nenhum policial será processado pelo assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes ocorrido no metrô de Londres em 2005, anunciou a promotoria britânica ontem. A decisão foi tomada após uma revisão das provas apresentadas durante o inquérito público sobre o caso. O jovem eletricista mineiro foi morto pela polícia depois de ter sido confundido com um terrorista.

O inquérito a respeito das circunstâncias da morte do brasileiro nas mãos da Scotland Yard, em julho de 2005, foi concluído em dezembro passado, quando o júri, depois de ouvir mais de cem testemunhas, escolheu um veredicto “inconclusivo” em detrimento de um veredicto de “homicídio involuntário” – opção que era defendida pelos policiais.

Na época, o juiz proibiu os jurados de chegar a um veredicto de homicídio por imprudência -o que equivaleria a assassinato. Com a decisão de ontem, a promotoria enterrou a hipótese, dificultando quaisquer novos passos judiciais e uma eventual reabertura do caso.

ENTREVISTA/MARIA OTONE DE MENEZES

Pelo telefone, a voz de Maria Otone de Menezes, de 63 anos, transmitia a dor de uma mulher que teve um tesouro roubado. A mãe de Jean Charles de Menezes reconhece: “Tristeza não mata, se não eu já tinha morrido". Moradora de Gonzaga (MG), ela admitiu que a família não tem mais forças para lutar por justiça. Com as últimas palavras: “Meu coração está triste, arrasado, veio o choro”.

Como a senhora vê a decisão da promotoria britânica de inocentar os policiais que mataram seu filho?

Eu vejo como uma coisa muito difícil para mim. Nunca imaginei que essa barbaridade poderia acontecer com o menino. Para o Reino Unido, que diz ser o primeiro país do mundo, não imaginava que eles seriam tão injustos. Nós lutamos durante mais de 40 dias na Corte de Londres e pensávamos que eles seriam processados e pagariam pelo que devem pagar. Mas acho que nesse mundo eles não vão pagar não. Eles vão pagar no outro. De início, eu fiquei muito transtornada, muito revoltada, triste com o acontecido. Mas o que fazer quando as coisas não ajudam do lado da gente? Aí entreguei nas mãos de Deus. O que pudemos fazer nós fizemos. Tristeza não mata, se não eu já tinha morrido…

Como foi esse período que a senhora ficou lá em Londres, acompanhando o julgamento?

Foi muito difícil. Naquele momento eu esperava uma coisa e foi outra. Deixei meu marido aqui, meu cunhado, para ficar fora de casa esse tempo todo. Eu que cuido do meu cunhado, que tem problema de derrame. Pensava que tudo ia dar certo e que eles seriam pelo menos julgados. Eu pedi justiça, queria justiça. Até hoje eu peço justiça, mas a da Terra não me ajudou, então eu peço a de Deus.

O governo brasileiro ajudou sua família a buscar justiça?

Eu não precisava nem de pedir ajuda ao governo brasileiro. Todo o mundo acompanhou essa caso. Se nosso governo quisesse dar essa força para nós, já teria nos procurado. Não vi nada do governo ainda.

A família da senhora ainda pensa em lutar pela punição dos policiais?

A luta da justiça terrena já acabou. Minha família não tem mais força para mexer com eles não. Eles enfrentaram dois processos e não deu em nada. No momento que o juiz falava, percebi que ele estava mais do lado do policial do que do nosso lado. O que eu posso fazer? Eu fraca no meio dos fortes?

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