Câmara desafia Burguês e põe veto ao reajuste salarial em xeque

por Léo Quintino Email

De Humberto Santos, no Hoje em Dia:

Apesar do recado do presidente da Casa, vereadores defendem derrubada da posição de Lacerda

Um dia após o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Léo Burguês (PSDB), ter garantido que o veto do prefeito Marcio Lacerda (PSB) ao reajuste de 61,8% no salário dos parlamentares será mantido, um grupo de parlamentares desafia o tucano e trabalha nos bastidores para derrubá-lo e promulgar a lei com o aumento nos subsídios. O veto do prefeito deve ser apreciado, nesta quinta-feira (9), na Câmara. São necessários 21 votos para ser derrubado.

O trabalho de convencimento ocorre nos bastidores e tem como aliado o fato da votação pelo veto ser secreta. O vereador Leonardo Mattos (PV) assume que trabalha pela derrubada do veto, contrariando até mesmo a orientação de seu partido. Na última quarta-feira (8), o vereador Sérgio Fernando (PV) disse em plenário que o partido orientou aos três parlamentares da legenda a manterem o veto. “Acho que o vereador honesto está pagando o pato, com o salário sem reajuste. Enquanto isso, tem vereador utilizando mal a verba indenizatória, comprando coxinha”, alfineta Mattos.Um parlamentar, que preferiu não ter sua identidade revelada, disse que “existe um ponto de interrogação na Câmara” por causa da votação secreta. “Não há consenso na Casa e a disputa será intensa”. De acordo com o parlamentar, Burguês trabalha pela manutenção do veto por que se ele for derrubado o presidente será responsabilizado pela população.

“Tem um movimento sim, mas ele não terá os votos necessários. Deve ter uns 12 ou 13 votos. Não terá os votos necessários. É suicídio continuar essa discussão”, confirmou a movimentação de bastidores o vereador Cabo Júlio (PMDB). O peemedebista, que votou a favor do reajuste e agora é a favor do veto, disse que não vai aceitar a discussão de outro projeto de lei com o reajuste menor para os parlamentares. “Somos agentes políticos e não podemos ficar contra a população. É loucura voltar nessa discussão”, observou.

O vereador Henrique Braga (PSDB), que votou a favor do reajuste, disse que ainda não se decidiu pela manutenção ou derrubada do veto, mas colocou em dúvida a realização da sessão que vai apreciar o veto. “Se houver quórum, a gente vota”, disse. O parlamentar negou que haja um movimento para derrubar a presença e, consequentemente, a apreciação do veto.

O líder do PT na Casa, Adriano Ventura acredita que o movimento perdeu força, mas lembrou que, como o voto é secreto, a recente mudança de lado de alguns vereadores seja apenas jogo de cena. “A bancada do PT vai votar toda junta, ao mesmo tempo, até mesmo como forma de forçar os outros vereadores a votarem a favor do veto”, disse Ventura. Já Ronaldo Gontijo (PPS) acredita que o veto será mantido para que a pressão seja reduzida.

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