Câmara de BH abre trabalhos com briga por cargos
por Léo Quintino
No Tempo, de Amália Goulart:

O prefeito Marcio Lacerda participa da abertura dos trabalhos na Câmara Municipal e pede relação ‘democrática’
Um pedido de paz e de união em torno dos projetos de interesse da sociedade em meio a um clima de rebuliço entre vereadores. Foi esse o apelo que o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), fez ontem aos parlamentares da Câmara Municipal da capital mineira ao participar da sessão solene de abertura dos trabalhos do Legislativo.
Primeiro prefeito em 26 anos a participar do evento e sem grande experiência política, Lacerda disse esperar uma “relação democrática” com a Câmara. “Independente das preferências partidárias, todos representam a sociedade", justificou. Lacerda distribuiu aos parlamentares exemplares de seu programa de governo, produzido durante a campanha eleitoral. Segundo ele, os vereadores precisam ajudá-lo a cumprir com o programa. O socialista também prometeu diálogo, ouvindo as bancadas ou os vereadores individualmente.
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Mas enquanto o prefeito falava, os parlamentares estavam agitados. Nos bastidores, a preocupação era com a montagem das comissões do Legislativo e na composição do terceiro escalão do governo socialista.
O líder do governo, Paulo Lamac (PT), afirmou que os cargos indicados por vereadores iriam todos passar por uma análise técnica. Nos corredores da Câmara, parlamentares reclamam da medida, já que indicaram vários cabos eleitorais para ocuparem os postos. Lamac disse que os colegas terão que entender as exigências do novo prefeito. “Os vereadores que participaram da coligação (composta por 14 partidos que ajudaram a eleger Lacerda) têm a expectativa de participar da composição de governo, mas o prefeito está fazendo uma análise criteriosa", afirmou Lamac.
Enquanto uns querem cargos, outros estão de olhos nas indicações de comissões temáticas. Um grupo de vereadores, ditos independentes, teria reclamado no plenário com o líder do governo da interferência do Executivo na escolha das presidências das comissões.
E o clima na Câmara vai esquentar ainda mais quando os vereadores de fato retomarem os trabalhos. Eles terão na manga seis vetos do Executivo para negociar e ainda projetos importantes para Lacerda como a proposta de reforma administrativa, que deve ser encaminhada à Casa em março. Os vetos já começam a trancar a pauta. A presidente da Câmara, Luzia Ferreira (PPS), não garantiu que eles serão mantidos. “Temos uma relação de respeito com o Executivo, mas o Legislativo é um poder autônomo e é assim que deve decidir nas questões de sua atuação", afirmou.
Além do imbróglio envolvendo a Câmara, o prefeito terá que administrar uma possível queda na arrecadação, em função da crise econômica. Ontem, ele afirmou que em março terá um prognóstico da futura receita. “Teremos uma clareza maior sobre um possível crescimento menor do que o esperado", afirmou.
Pauta
Confira o que está na pauta de votações dos vereadores
1. Vetos. São seis vetos que travam as votações. Dois deles geram polêmica. O primeiro diz respeito ao pagamento, pela prefeitura, de desapropriações que seriam feitas na “Vila Acaba Mundo", localizada no bairro Mangabeiras - um dos bairros com lotes mais caros da cidade. O outro refere-se a um projeto que propõe a proibição de animais em circos.
2. Projetos. Os vereadores começam os trabalhos com 407 projetos. O de maior destaque propõe transparência maior do Executivo e Legislativo.

03-02-09 19:02:01,