Bomba e retaliação abalam cessar-fogo

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas:

Artefato explode na fronteira da Faixa de Gaza e mata soldado israelense. Camponês palestino morre em ataque

Militares patrulham área perto de Gaza. Hamas e israelenses culpam um ao outro pela violação da trégua

Militantes palestinos detonaram uma bomba perto de uma patrulha do Exército de Israel na fronteira com a Faixa de Gaza, matando um soldado e ferindo outros três. Militares israelenses cruzaram a fronteira em busca dos atacantes, houve troca de tiros e helicópteros sobrevoaram a região, disparando. Pouco depois da explosão da bomba, um fazendeiro foi morto por disparos de tanques israelenses a 1,5 quilômetro de distância do local. Outros dois palestinos ficaram feridos. Um jato israelense quebrou a barreira do som e provocou um estrondo sobre a cidade de Gaza pouco depois, como advertência. Mais tarde, o Hamas disse que um dos seus militantes ficou ferido depois de um ataque aéreo israelense.

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Foi o primeiro confronto desde que o cessar-fogo entre Hamas e Israel foi decretado mais de uma semana atrás, depois de 22 dias de uma grande ofensiva realizada por Israel na Faixa de Gaza para conter os disparos de foguetes de militantes palestinos contra o território israelense. Na ofensiva, ao menos 1,3 mil palestinos morreram, a maioria civis, e cerca de 5 mil ficaram feridos. Do lado israelense, 13 pessoas morreram.

Os dois incidentes aumentaram a tensão na região e teme-se que a quebra do cessar-fogo e da relativa calma seja comprometida. Israel não confirmou a relação entre os dois incidentes, mas decretou o fechamento dos postos de fronteira com Gaza para a passagem de ajuda humanitária e para o tráfego, depois de tê-los aberto por pouco tempo na manhã de ontem.

Os incidentes ocorrem justamente antes da chegada ao Oriente Médio do novo enviado especial do presidente de Estados Unidos Barack Obama – George Mitchell – para uma primeira visita à região. Mitchell chegou ao Cairo e visitará, em seguida, Israel, Cisjordânia, Jordânia e Arábia Saudita. As duas vítimas são as primeiras dos dois lados desde o anúncio separado de cessar-fogo, em 18 de janeiro, por Israel e Hamas. Desde então, os dois lados negociam uma trégua duradoura com a mediação do Egito, responsável pela última trégua oficial entre os dois lados, de seis meses, que acabou em 19 de dezembro do ano passado.

Segundo o Exército israelense, a explosão aconteceu ao norte de Kissufim, na fronteira entre Gaza e Israel, quando uma bomba foi detonada por milicianos palestinos. O explosivo, ainda segundo os israelenses, foi detonado por controle remoto durante a passagem de uma patrulha militar. Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado.

Um líder do Hamas, Mushir al-Masri, declarou que Israel deve ser responsabilizado pela continuidade dos disparos em Gaza. Ele disse que o grupo não concordou com um cessar-fogo completo, mas apenas com uma “acalmada” nos confrontos. “Os sionistas são responsáveis por qualquer agressão", acusou Masri.

Por outro lado, a ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, culpou o Hamas. “Não me importa quem disparou", disse. “O Hamas controla Gaza e é responsável por tudo que acontece. Sempre que dispararem a partir de Gaza, colocarem uma bomba ou lançarem um míssil ou contrabandearem (armas), Israel responderá.” O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu a convocação de uma reunião urgente com os chefes de segurança israelenses, dizendo que Israel “não pode aceitar” o ataque e prometendo uma resposta.

O Egito está atualmente tentando negociar um acordo mais duradouro, para permitir a tranquilidade no território costeiro de 1,4 milhão de pessoas, governado pelo Hamas desde junho de 2007. Israel quer pôr fim aos ataques de foguetes do Hamas e garantir que o grupo não consiga contrabandear armas do Egito para Gaza. O Hamas exige que Israel e Egito reabram as fronteiras, fechadas desde a chegada do Hamas ao poder. As passagens são parte vital para a economia de Gaza.

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