Bolsa Ministro resolve antigo problema dos governos ("!")

por Léo Quintino Email

Para quem não sabe o simbolo estranho no título é um “ponto de ironia", coisa do Noblat ou do Veríssimo, não sei…

Do blog do Noblat:

Ninguém entendeu até agora o passo à frente dado pelo governo para resolver de uma vez por todas, e sem que o presidente tivesse de mexer um só dedinho, um antigo problema que impediu administrações anteriores de contarem com gente talentosa nos ministérios - o baixo salário dos mais altos cargos da República. Refiro-me à Bolsa Ministro, o mais recente lançamento do governo Lula.

Como funciona? Assim: o ministro embolsa seu parco salário que mal dá para pagar os gastos fixos. Mas aí se vale do cartão de crédito corporativo e paga as demais despesas. Saca direto do caixa do governo. E não precisa dar satisfações a ninguém - talvez ao Tribunal de Contas da União (TCU), se ele cobrar algum tipo de satisfação. Nunca vi ninguém de fato encrencado com o TCU. É um tribunal que detesta encrenca.

O Bolsa Ministro evitou para o governo o desgaste de propor ao Congresso um aumento substancial do salário dos ministros. Se pedisse o Congresso daria feliz da vida - e em seguida reajustaria seus próprios salários. Depois do Congresso seria a vez das Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais. E o Judiciário naturalmente iria na onda. Aumentos em cascata.

Com o Bolsa Ministro, quem ganha, digamos, R$ 13 mil mensais poderá aumentrar seus rendimentos de acordo com suas necessidades e dentro da maior discrição. Se em determinado mês quer comer tapioca, saca o cartão e paga. Se no mês seguinte, enjoado de tapioca, prefere ir visitar a filha que mora no interior de algum Estado, compra a passagem e vai.

Os gastos com cartões corporativos evoluíram assim: R$ 14,1 milhões em 2004; R$ 21,7 milhões em 2005; R$ 33 milhões em 2006: e 75,6 milhões no ano passado. A evolução prova que fórmula deu certo.

A gritaria em torno da descoberta do Bolsa Ministro se deve mais à inveja de quem foi incapaz de bolar uma solução tão simples do que à sincera indignação.

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